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24.12.07

Culture Shock

24/Dec/2007


Pelas noticias que tenho ai do Brasil 2007 esta acabando. Ja aqui na India parece que o negocio nao tem comeco nem fim, ou pelo menos ninguem avisa. Pra terem uma ideia o Natal aqui eh tao celebrado quanto a independencia do Brasil na Argentina. Mas eh verdade, a propaganda em volta dessas datas aqui sao bem menores que no ocidente. Apesar de poucos, os enfeites de natal estao em algumas casas e nas grandes lojas e shopping centers. Alem disso todos do meu trabalho estao fazendo planos pra unica semana de folga que teremos.


Na real eu achei que a folga aqui ia do Natal a primeira semana de janeiro (dia 6). Nao sei porque eu pensei isso. Partindo desse principio fiz meu plano que era ir pro outro lado do pais. Ir para Kerala (outro estado), descer a costa sul entre praias e cidades do interior. Passar o natal e o reveillon. Depois, segundo o plano, era embarcar novamente em Madurai de volta direto pra Chennai. Aconteceu que quando eu fui pedir permissao no Greenpeace pra ter essa semana a mais de cara levei um nao na lata.


Pensando bem o "nao" era a resposta mais esperada disparada. Primeiro porque o Greenpeace trabalha com metas. E a meta desse ano era atingir 3000 membros. Porem, durante o ano inteiro, a galera nao conseguiu atingir nem na metade. Ou seja, a galera ta patinando agora pra tentar chegar nos 2000 membros. Entao estamos trabalhando direto pra tentar alcancar esses numeros, que nao sao faceis, principalmente na ultima semana do ano quando todo mundo esta na correria e ninguem quer parar 10 minutos pra escutar um cara falando sobre aquecimento global... Mas pensando bem foi melhor eu nao ter ido viajar. Os lugares definidos pela turma da aiesec, a qual eu ia me incluir nao eram os meus preferidos: pouca praia e muito templo. E templo nao eh minha praia.


Mesmo assim nao quer dizer que eu nao vou fazer nada... Afinal o Chennai Open de Tennis ta pra comecar. Eh uma boa opcao, afinal esperando o trabalho recomecar apos o ano novo, ir assitir o segundo melhor tenista do mundo ha 10 minutos de casa por 100 rupias, ou cinco reais, ta valendo...


Semana passada o chines apareceu em casa com um livro chamado INDIA - CULTURE SHOCK. O nome diz tudo. Foi escrito por uma mulher daqui da India que viajou o pais inteiro e se mudou pro Canada. Depois de viajar meio mundo, atualmente ela mora em Chennai. E pelo que da pra entender do livro eh bem a realidade mesmo. Eh ate bom ter esse livro em casa porque o que eu olho na rua e esqueco, eu leio no livro e lembro. E a primeira coisa que eu li, falava sobre uma coisa que aqui na India a gente percebe logo de cara: que eh a superpopulacao. Aproximadamente 1bilhao e 200milhoes. E com essa galera toda num pais menor que o Brasil as ruas ficam pequenas. Sao os caminhoes, os onibus, carros, auto rickshaws, bicicletas, pedestres, vacas, cachorros, galinhas e principalmente as motos dividindo o mesmo espaco.


Pelo que eu fiquei sabendo, aqui em Tamil Nadu (o estado que eu moro), as pessoas sao capazes de comer arroz todo dia pra economizar dinheiro e comprar uma moto zero km. Enquanto isso a Honda faz a festa. Eu nao tenho a menor ideia de quantas motos o trafego da India tem, mas elas estao em todos os lugares. As portas de bancos e empresas lembram a Newtime. Eh tanta moto que as calcadas nao sao mais pros pedestres (ha pelo menos 50 anos), mas sim pra estaciona-las. Ta ai outro ponto do livro que eu ainda nao tinha comentado: as calcadas. Como eu falei antes, eh tanta gente aqui que as calcadas nao sao pra pedestres. O pessoal caminha na estrada mesmo, dividindo espaco com os carros. E segundo o livro eh bem verdade. As calcadas daqui serve pra outras finalidades como dormir por exemplo, de dia e de noite. Abrigar ambulantes e as coffe shops, que estao em todas as esquinas servindo cafes com leite e um tipo de cha que eh padrao em todos tea shop de Chennai (talvez da India). O cha que em hindi significa "chai", passa pelo mesmo filtro do cafe, por isso tem a mesma cor e o gosto e o cheiro sao bem parecidos, mas eh cha. Que geralmente sao acompanhados por bolinhos fritos.


Parece uma grande rede de cafeteria, mas pequenas barraquinhas quase caindo aos pedacos vendem o mesmo cha, cafe e bolinhos com o mesmo gosto e sabor em todos os cantos da cidade. Essas barraquinhas nao oferecem muito mais que cha, cafe, bolinho, cigarro e chiclete. Tudo igual, parece que todo mundo segue a mesma receita...


No fim o livro se transforma em um guia completo de como se comportar em certas ocasioes aqui na India, como se vestir e o que esperar dos indianos.


Confesso pra voces que meu post ia ficando por aqui, pois tinha escrito isso durante a semana passada e ia passar pro computador no sabado a noite. Mas na sexta-feira o Boss, o ex-chefe da brazuca que foi embora convidou o pessoal do meu flat pra jantar fora no sabado. Quando chegou sabado eu nem lembrava mais disso, tinha chegado em casa quebradasso, tava indo pro cyber cafe e depois queria minha cama ate porque no domingo tinha trampo denovo... (eh, a turma nao ta aliviando). Sei que no fim das contas era sabado 9 da noite o Boss liga avisando que tava chegando. O Rolf (que se faz de tanso pra andar de kombi) que tinha sido convidado tambem, vazou pra jantar fora com um amigo dele, o chines que tambem tinha sido convidado tava na lanhouse perto de casa conversando com a familia... Na hora eu senti o drama. Eu e o Boss jantando, nao ia rolar. Liguei pro chines mais de 10 vezes avisando que o boss tava chegando. Nao que o boss seja chato, longe disso, mas eh que sair pra jantar com o tiozao sem nenhum camarada junto eu nao ia curtir. Depois de 10 minutos o chines apareceu. O boss eh Phd em direitos humanos, eh advogado e cuida de uma ong, bancou um banquete pra mim e pro Robert (o meu broder da china). Fomos pro clube onde foi servido o jantar com motorista na maior patronagem. Dentro do mitsubishi com ar condicionado andando em media 80 por hora esqueci que tava na India. Naquela noite fiz o mesmo trajeto que eu tinha feito durante o dia indo pro trabalho, soh que de onibus e trem...

16.12.07

Uma Noite no Call Center

16/Dec/07

Nao to falando do livro do Chetan Bhagat (One Night at the Call Center), mas sim de uma madrugada minha com a turma do Greenpeace num Call Center aqui  de Chennai essa semana:

Na terca feira  o coordenador do grupo me perguntou se eu gostaria de fazer um expediente noturno na quarta. Horario definido das 5 da tarde as 5 da manha, sendo 4 horas de intervalos intercalados e na quinta feira com trabalho somente na tarde. Eu aceitei. Na quarta feira 5 da tarde estavamos la o time completo pra mais um dia - ou noite -  de trabalho. Depois de meia hora de espera pra sermos atendidos e fazer aquela burocracia de assintaturas, crachas e permissoes pra andar dentro da empresa o sono comecou a bater. E nao era nem 6 da tarde...  As permissoes dentro das empresas na minha opiniao sao as melhores formas de conseguir socios pra ong. Uma vez que a galera ja conhece o assunto e tem emprego, o negocio fica mais facil. Mas hoje nao to aqui pra falar do meu estagio, mas sim do emprego dos outros.

E apos arrumarmos a mesa, os panfletos, a bandeira, os kits... era hora de comecar a abordar o pessoal. Pra comecar a estoria a empresa se chama Sitel e fica em cima de um shopping center da cidade. Pelo mapa na parede do escritorio que eu vi logo na entrada, a Sitel presta servicos de BPO (Business Process Outsourcing) pro mundo inteiro, incluindo o Brasil, com 3 escritorios em SP, RJ e BA. Porem esse escritorio aqui em Chennai presta servicos pro Canada, nao precisou nem perguntar pra saber, pois na parede do refeitorio havia um relogio enorme escrito embaixo OTAWA...(em plena India).

O refeitorio tinha o teto verde e vermelho, no meio passava uma estrada com destino a porta de saida. Cores muito fortes e o ambiente muito iluminado. Eu nao entendo esse lance de cores e simbolos mas creio que tudo isso eh pra estimular a turma ficar ligada na madrugada. Restaurante 24horas com comida feita na hora, tudo fresco e novo, e pago, claro. A nao ser o cafesinho, duas maquinas de Nescafe novas, soh colocar o copo embaixo, apertar numero 1 e tomar: gratis! (Porque sera?). Eu sozinho tomei uns 10 pra ficar aceso. E de todo mundo acho que fui o que menos tomei, pois a cada meia hora o pessoal tem 5 minutos de intervalo e a cada duas horas, 20 minutos seguidos. Mais ou menos isso. Eu lembro porque as vezes eu comecava uma apresentacao, depois de dois minutos o doido saia correndo atrasado e depois de duas horas voltava pra escutar o resto.

A noite no call center eh silenciosa, nos corredores ninguem fala nada, nos banheiros o pessoal vai mais pra lavar o rosto que pra fazer outra coisa. Mas no refeitorio a estoria eh diferente. Tem mesa pra jogar baralho, xadres, telao passando MTV indiana (engracado que depois das 2 da manha o telao comecou a passar uns clipes americanos no estilo Britney Spears, o tiosao do caixa nao gostou foi la e trocou pra outro canal de clipe indiano, deu pra ver a decepcao da galera, inclusive a minha, que na minha opiniao melhor ver a Britney do que escutar os indianos cantando), e internet com acesso livre a emails, orkut, facebook e esportes...

O resultado da noite de servico foi bom, como na maioria das permissoes que temos por aqui. Apesar de ser madrugada a galera continua querendo saber o que os malucos com camisetas iguais, uma bandeira em cima da mesa e um livro na mao tem a dizer. O que eu curti foi ver Chennai amanhecendo. Era 5:30 da matina quando encerramos o expediente e partimos pra pegar o onibus. A cidade tava acordando, as businas aos poucos comecavam a fazer parte do som-ambiente, os onibus ainda vazios e os auto-rickshaw ainda estacionados nas calcadas... Cruzei o bairro de onibus ate a estacao de trem mais proxima e quando cheguei as 7:30 da manha em Egmore, meu bairro, Chennai ja estava a 1000 por hora.


09.12.07

O Surfista Peregrino

09/Dec/07

Apos duas semanas sem contato com o planeta Terra volto aqui outra vez pra escrever mais um capitulo da jornada do surfista peregrino... Ta certo que o mar nao tem onda, eu nao tenho prancha e a praia parece mais uma feira livre, mas eu continuo lembrando do surf todo dia. O que me motiva eh saber que nao vou ficar aqui pro resto da vida e depois quando voltar pra Floripa a turistada ja vai ter ido embora e os primeiros swells do veranico de Marco logo comecam a pintar...

Sonho a parte, aqui as coisas continuam na crescente. Nessas duas ultimas semanas visitei 3 grandes empresas de TI. Ja vou avisando pra galera da Computacao, Sistemas de Informacao que aqui eh o paraiso. A cada 10 pessoas que eu abordo na rua 9 (pelo menos) trabalham com isso e pelo numero de edificios que estao sendo construidos o negocio tem muito a crescer ainda.  Pra terem uma ideia, o governo indiano ta quase doando os terrenos numa regiao mais ao sul de Chennai, cerca de 30 Km da cidade e tranformado a area num verdadeiro parque tecnologico onde modernos edificios se misturam com um enorme canteiro de obras. Pra comecar o nome da principal rodovia eh "IT Highway". Outra coisa que chama atencao aqui na India eh o enorme numero de vagas de emprego oferecidas. Ha anuncios nos jornais todos os dias, nas paradas de onibus, dentros dos onibus e trens. Alem do mais, ha um grande numero de Faculdades voltada pra essa area, onde antes mesmo de terminar o curso as empresas ja recrutam  os estudantes. Empresas como Tata, Wipro, Hcl, E-bay, Ascendas dominam o mercado indiano, e quem comecar cedo em uma delas pode ter certeza que o futuro esta encaminhado.

Mas como dizia um professor meu do terceirao, "nem tudo sao flowers". Digo isso porque apos um mes de trabalho chegou a hora de ver a cor da grana. Mas pra isso acontecer eu precisava de uma permissao de trabalho aqui na India. Ai que a encrenca comecou... Eu chamo de encrenca mais poderia chamar de novela, pois como de costume o pessoal da Aiesec aqui nao sao tao comprometidos assim como se esperava. Era quinta feira passada, eu estava no meio do meu trabalho quando um membro da aiesec me liga intimado pra comparecer no local (que depois de ir 5 vezes eu ainda nao sei o nome) da permissao de trabalho. Segundo ele, eu soh precisava levar o passaporte e um documento do Greenpeace que eu ja tinha. No meu pensamento quando alguem liga pra outra pessoa intimando pra comparecer com o passaporte e esse tal documento, subentende-se que esta tudo pronto, apenas vou pegar o documento e de repente assinar algumas coisas. Porem, nao foi bem assim. Cheguei no lugar e logo perguntei pro camarada da aiesec os procedimentos. Antes de ele me responder ele pegou o celular e ligou pra alguem, apos 10 minutos ele me respondeu: "Hoje nos vamos pegar a lista de documentos que tu precisa. Na segunda a gente vem e entrega tudo". Deu vontade de matar o cara. Eu nao acreditava na situacao. Era tao obvio que eu nao precisava estar junto pra pegar a lista, vir de tao longe pra pegar uma folha escrita a mao os documentos que eu precisava... As vezes eu penso se isso acontece soh na Aiesec, por ser uma organizacao estudantil  (e nao os culpo por isso, logico) ou se todos indianos fazem negocio desse jeito. Mas o que pelo menos da a entender eh que o pessoal aqui nao tem a menor nocao de onde esta pisando. No meu ponto de vista, tentando sempre facilicar os negocios era muito mais facil o cara ter me ligado, ou nem isso, mandado uma mensagem falando dos documentos necessarios. E pior, os documentos que eram requeridos eu tinha, quem nao tinha os outros era ele. Na segunda-feira o Aiesecer nao apareceu, na terca ligou avisando que o negocio ia ser na quinta. Liguei na hora pro chefia no Greenpeace e marquei uma reuniao: eu o chefe e o broder da aiesec. Primeiro porque eu nao sou palhaco depois porque eu so recebo o money se tiver esse papel na mao. Depois do camarada escutar umas do chefia o negocio comecou a andar e no outro dia (quarta) voltei la mais uma vez e pequei a fila. Pela segunda vez a mulher (braba pra cacete, como se a India tivesse fazendo um favor pra mim) nao aceitou os documentos. Faltava uma maldita carta da Aiesec. Sai rindo da sala e por coincidencia encontrei meu amigo chines na mesma situacao: dependendo da aiesec. O problema dele eh diferente, ele mora aqui ha 9 meses e tem visto de um ano, o lance eh que ele quer renovar o visto pra mais um ano e por ser chines e segundo ele as relacoes china-india nao sao as melhores, provavelmente ele vai ter que voltar pra Beijing pra poder solicitar um novo visto... Pra encurtar a estoria fomos o broder da aiesec e eu numa lanhouse perto imprimir essa tal carta que ele fez na hora. Eu nao sabia se ria ou se chorava porque era uma coisa tao simples que eu nao acreditava que eles nao tinham uma sequencia padrao de servico voltado pros trainnes, que sao mais de 20 atualmente.

No fim tudo resolvido, e apesar de tudo isso o final de semana ia comecar com um jantar de despedida de uma trainne brasileira que apos 3 meses na India e um no Cazaquistao estava voltando pra Campinas,SP. O jantar foi nessa sexta-feira, num clube da cidade. Quando eu recebi a mensagem ja tava trabalhando e como o lugar era por perto ia sair direto do trabalho pra esse clube. Mandei a mensagem pro Rolf, meu amigo belga pedindo pra trazer uma camiseta limpa pelo menos pra fazer a social... Encontrei com ele e a Milena, a menina da Servia que mora comigo e ta indo embora tambem nesse fim de semana... O cara trouxe a camiseta, eu vesti e quando tava entrando no clube de cara encontramos o Bala. O Bala eh um indiano amigo da galera. O bixo conhece todo mundo, tem varios negocios aqui e  eh um bom contato  na cidade.  Na hora a gente pensou que o Bala tava indo no mesmo jantar que a gente, pois ele eh amigo da Natalia, brazuca que tava se despedindo. Mas nao, o Bala tava numa outra festa, no mesmo clube mas em outro salao, era casamento nao sei de quem. Assim que nos viu nos convidou pra essa tal festa. A gente nao tinha nada a perder, afinal tava meio cedo pro jantar da Natalia e nao custava nada dar uma conferida no casorio dos indianos... Ficamos pouco tempo la mas deu pra notar que enquanto a cerimonia tava rolando, a galera ja tava jantando... Disparado depois dos noivos o centro de atencao era nos. Um chines, um belga, uma servia e um brasileiro com a mochila do trabalho nas costas em plena festa... O negocio nao parou por ai, depois de uns 20 minutos fomos pro outro salao e antes de entrar fui informado que a minha roupa era impropria. Pela segunda vez na India fui impedido de entrar num lugar por causa da roupa, a primeira vez foi numa balada que eu tinha ido de bermuda. Ao contrario da primeira vez esse problema foi resolvido na hora. Assim que ele disse que minha camiseta nao tinha gola, ja tirou uma camisa novinha de baixo do balcao e me deu pra vestir. A primeira coisa que eu fiz por perguntar se eu tinha que pagar por isso. Na real perguntei nao pelo fato de ter que comprar, afinal ate tava precisando uma camisa nova, mas perguntei sinceramente pelo fato da camisa ser alaranjada no estilo festa-junina, entao logo pensei, se tiver que pagar, pelo menos escolho uma coisinha melhor... No fim das contas o jantar foi servido em uma sala particular, com 3 garcons pra 10 convidados. Boa comida, vinho tinto e Balantines. O patrocinador do jantar era o chefe da Natalia. O cara eh a maior figura, fala mais que o homem da cobra e nao perde uma oportunidade pra soltar uma indireta pras trainnes. No final foi engracado, o bixo pagou a conta e quando a gente tava quase no portao de saida veio o garcom correndo com a ultima nota descriminando minha camisa.

Mas antes de tudo isso que eu acabei de contar, final de semana passado 01 e 02 de dezembro fui com a galera do apartamento pra Pondicherry. Pondicherry eh uma praia em torno de 100km ou mais ao sul de Chennai com forte influencia francesa devido colonizacao. Eh engracado e eu ainda nao descobri o porque, mas apesar de estar no meio do estado de Tamil Nadul, Pondicherry nao eh considerada parte desse estado. No fim eh melhor, pois os precos sao mais baixos ainda, pois nao ha impostos. O pico nem parece a India, ou melhor, eh uma India diferente da que eu to acostumado ver todo dia. Pondicherry eh uma praia sossegada, tudo muito perto, limpa e sem barulho (nos padroes indianos). Sai de Chennai no sabado a noite, depois de 3 horas chegamos na cidade. Ja era madrugada mas deu pra dar uma volta pelo centrinho e ver a praia e a lua cheia... No outro dia  foi irado, alugamos bicicletas e tocamos pras outras praias cerca de 10km ao norte. Visitamos a Auroville Internacional Village. Um resort muito irado, de frente pro mar (que apesar de nao ter onda lembrava a Mole, mar de tombo e areia grossa e agua clara), soh turistas estrangeiros. Soh faltou as ondas...

25.11.07

Chennai 40 graus.

25/Nov/07

Parece que foi so falar e a segunda-feira comecou com chuva. Eu nao sei se eh so aqui em Chennai, ou de repente eh uma peculiaridade da India, mas nao existe boeiros, entao qualquer meia hora de chuva ja motivo pra encher as ruas e calcadas de agua. Como se fosse enchente em Floripa depois de uma semana de chuvarada. Entao me preparei pro trabalho e minha sorte foi ter trazido uma bota impermeavel - presente do meu pai -  que eu trouxe mais pensando em usar caso eu fosse visitar o Himalaya do que aqui em Chennai, onde a temperatura media fica em torno dos 25 graus... Antes de seguir o caminho precisava confirmar o onibus, liguei pro meu colega de trabalho e pra minha surpresa ele me disse que devido a chuva nao iriamos trabalhar... Mas que era pra ficar no aguardo que a qualquer momento ele ia ligar - e ligou de tarde.

Trabalhar na rua tem varias vantagens. Eu nao sei se ja contei e tambem nao vou procurar nos posts anteriores, mas vou descrever um pouco como eh trabalhar no Greenpeace buscando socios:
Primeiro ha um treinamento que eu ja citei anteriormente, apos isso voce teoricamente esta pronto pra ir pra rua abordar pessoas e convence-las de que eh uma boa causa. Afinal ninguem quer financiar uma ONG mensalmente, descontando do cartao de credito ou debito em conta sem saber pra onde o dinheiro ta indo. Mas o que eu quero contar eh a estrategia do negocio. E pra isso ha uma pessoa exclusiva no escritorio pensando em quais lugares, qual epoca e qual horario sao os melhores pra conseguir ter a melhor prospeccao e consequentemente o maior numero de candidatos a socios.

Entao o foco sao pessoas educadas, no sentido literal ate faz sentido, mas eu prefito dizer pessoas conscientes. Porem de nada adianta ser consciente e nao ter dinheiro, pois por mais interessado que seja a pessoa no assunto, nos estamos buscando fundraisers e nao apenas criando conhecimento, portanto o alvo final sao pessoas com alto poder aquisitivo e conscientes ou educadas, facilmente encontradas nas portas de grandes livrarias, shoppings centers, bancos privados e logico, grandes empresas.

Quanto as empresas ha um esquema chamado "permissao" no qual o Territory Manager liga com antecedencia, marca uma reuniao, combina o dia e  a turma do aprouch entra na companhia e monta o cerco na hora do almoco, pois assim como no Brasil, as grandes empresas aqui possuem refeitorios, e eh nessa hora que o bixo pega. Quando estamos em " permissao"  o negocio tem que ser mais direto, rapido. Nao ha enrolacao, pois o candidado a socio tem livre arbitrio pra apoiar ou nao, depende dele. Pois com certeza ele ganha bem e se esta em uma grande empresa deve possuir conhecimento sobre os problemas que o meio ambiente sofre. Falo isso principalmente pelo tempo concedido nas permissoes, geralmente 2 a 3 horas. Enquanto na rua a prospeccao tem que ser feita e as vezes voce perde 20 minutos falando e quando voce cita o apoio financeiro o cara sai correndo...

Outro dia foi engracado. Abordei um cara, ele aparentava ter o perfil, tava numa moto nova e comecei a explicar e ele so respondia: ok, ok, ok... Depois de uns 5 minutos explicando um tema chegou um colega pra dar uma forca. Foi soh meu colega abrir a boca pra falar um negocio o candidato a socio falou: " Eu nao entendo ingles".. porrrr*%#.

Uma coisa que eu queria falar semana passada mas achava que nao era a hora. Ainda continua cedo tambem, mas como ja estou ha um mes aqui acho que ja da pra falar... me sinto em casa!
A adaptacao foi e esta sendo tranquilassa... sinceramente nao tive nenhum problema de saude, problema intestinal, estomacal, respiratorio, dor de cabeca... qualquer coisa, nada! Soh no primeiro e segundo dia que tomei um estomazil depois das jantas pra desencargo de consciencia. Espero continuar nesse ritmo, mas tambem tenho certeza que se der alguma zebra no caminho tenho uma mini-farmacia especialmente preparada pela Terezinha (quem conhece sabe, entao pode imaginar o tamanho da maleta de remedio.., brincadeira) me esperando!

Eu falo isso porque como passo a maior parte do tempo na rua e a cidade eh grande, nao existe o termo: "vou almocar em casa e ja volto" ate pelo preco que se paga nos restaurantes nao vale fazer em casa. Tenho comido em cada quebrada que a turma nao imagina. Apesar de tudo ha higiene sim, nao sou louco, mas eu digo quebrada porque eh quebrada mesmo. Mas aqui na India as aparencias enganam... Enquanto voce esta sentado numa dessas "quebradas", chega tiosinho de camisa e gravata com laptop na pasta e come junto...  Ta certo que perdi dois kgs nas primeiras duas semanas, mas isso faz parte daquela historia de adaptacao...

Parece que foi de um dia pro outro (ou de repente quando a calca ficou mais frouxa) que eu comecei a gostar da comida indiana. De duas semanas pra ca tenho comido varias coisas diferentes e ao contrario do que todo mundo pensa, nem tudo tem pimenta. Pelo contrario, varias coisas doces.

A India ta surpreendendo. Antes de chegar aqui eu imaginava que ia ficar um tempao sem comer carne vermelha... engano. Ontem, sabado a noite a turma do Greenpeace resolveu fazer uma festa. Comida, bebida, musica e os mais nativos (podem me incluir fora dessa) dancando.

Em um mes aqui eu ja vi coisa diferente, estranha, absurda, mas nada igual  ao acougue indiano. As vezes na vida a gente consegue fingir situacoes que nao estao boas dizendo " ok, esta tudo bem", mas tenho certeza que quando eu entrei no acougue minha cara disse tudo: " De hoje eu nao passo".

Chegamos no acougue perto do local da festa e eu ja notei a natividade pelas gaiolas com as galinhas vivas na frente. Vivas ate o momento que meu camarada fez o pedido. Um minuto depois duas delas estavam mortas... mas isso nao eh nada. Por que isso eu considero normal, minha avo faz isso! O que eu achei sinistragem foi o pedaco de boi pendurado num arame. Aquilo sim me fez perguntar: ou vai ou vastra... lembrei das palavras do meu amigo chines quando estavamos um dia na praia e ele pediu peixe frito, eu falei que ele era louco, ele respondeu: "Se voce nao experimentar a India, voce nunca vai conhece-la..." Eu tava la sentado, curtindo a situacao, a galera do Greenpeace fazendo a negociacao de quantos kgs de carne, galinha... aquela historia de quantas pessoas comem... quando eu olho denovo pro pedaco de carne e sem acreditar eu percebo que o rabo do bixo tava la arrastando no chao. Obvio que eu nao vastrei, afinal a turma nao ia me botar em roubada. E soh pra terminar... foi altas janta! Carne macia, frango com alho e cebola, arroz, cerveja gelada, refrigerante... musica... po, isso lembra minha casa!

18.11.07

Aceito sugestoes pro titulo desse post!



18/Nov/2007

Apos uma semana sem escrever, volto com boas noticias. A primeira eh que estou uma semana sem me perder, isso eh muito bom, pois tenho economizado tempo e o esquema de onibus nao eh dificil quanto parecia.
Essa semana vou tentar tirar uma foto de dentro dos onibus pra voces terem uma nocao do que realmente eh um onibus lotado. Ainda nao tirei as fotos porque nao tive coragem. Na verdade ate que nao precisa muita coragem, o que eu nao tive mesmo foi espaco pra me mexer e abrir a mochila... Outra coisa que chama a atencao nos onibus daqui eh a separacao entre homens e mulheres. Ou o lado esquerdo das mulheres e o direito dos homens, ou a frente das mulheres e a parte de tras dos homens. Alem do mais, se tiver vaga no banco do lado de uma mulher, soh outra mulher pode sentar...

Mas apesar do aperto que sao os onibus devo dizer que vale a pena, pois se voce nao tem uma moto, que parece ser a melhor opcao (e a mais kamikaze tambem), os trens funcionam muito bem, porem assim como qualquer lugar os trens sao limitados a certas regioes, entao o negocio eh encarar o latao. Pra voces terem uma ideia, quando eu nao vou de carona com meu roommate pro trabalho, tenho que pegar dois onibus. O primeiro custa 5 rupias (1real = 20rupias) e leva 10 min, o segundo, que eu pego so quando estou atrasado custa 3 rupias, e leva mais 10 minutos tambem. Entao nao da pra reclamar...

Essa segunda semana de trabalho foi muito boa. Tive que aparecer no escritorio somente duas vezes, uma na quarta-feira e outra no sabado. Quarta fui pra pegar mais material e tentar resolver um problema no meu celular, que quando eu comprei faltou um comprovante de trabalho...Entao, pra quem acompanha o blog, vou aproveitar e deixar o numero pra quem quiser me ligar, soh por favor facam a conta antes... pois estou 7h30min na frente de voces. +91 9380435201. E sabado teve uma "reuniao geral" , onde foram discutidos alguns assuntos como metas pra proxima semana, resultados da ultima semana e apresentacao de novos membros, que na real ja comecaram bem faltando.

Essa semana no Greenpeace aconteceu uma coisa nao muito legal, nao pra mim na verdade, mas pra um cara daqui. O lance do Greenpeace eh que o cara tem que demonstrar resultado, ou pelo menos vontade de trabalhar, estudar... aprender. E esse cara ja estava ha um mes como fundraiser e nao estava demonstrando resultado, parecia que nao queria trabalhar, sempre atrasado... e nao deu outra: foi "convidado a se retirar" . Mais uma vez eu vi que nao vim aqui pra brincadeira, qualquer vacilo ou falta de atencao eles nao perdoam, e na minha opniao nao devem perdoar mesmo, pois querendo ou nao o Greenpeace eh como eu costumo apresentar pro publico The World Largest Environmental Organisation, e isso pesa.

No meio da semana, nao lembro o dia certo a turma da Aiesec passou la em casa convidando pra uma partida de futebol nesse domingo (hoje). Nesse mesmo dia tinha uma janta na casa de outros trainnes, coisa leve, troca de ideias, uma cerveja e varias risadas. Assim que chegamos la, a turma do meu ape e eu, encontramos o pessoal da Aiesec convidando a turma pro futebol. Fiquei amarradao em saber que a galera curte uma pelada e tava louco pra jogar, contei pra todo mundo no trabalho... Passou sexta, nada; sabado, nem sinal e domingo nem pra avisar que o futebol foi cancelado... Comprometimento total. Tres semanas aqui ja senti o clima.

Falando em clima, a India eh muito louca. Estamos na Estacao Chuvosa, mas nem por isso chove todo dia, ou melhor, desde que eu cheguei aqui soh choveu duas vezes. Chuvinha de leve, garoa de meia hora. Mas nao foi o que parecia no primeiro dia, saindo do aeroporto. Naquele dia a rua tava um lamacal total, agua em cima das calcadas... tipo enchente. Mas foi soh aquela vez mesmo. Agora em dezembro comeca o inverno. Eu quero ver porque eles chamam de inverno, pois duvido que a temperatura caia muito. O casaco de la e a jaqueta que eu trouxe ainda estao dobradas do mesmo jeito dentro da mochila. De repente eu precise usar por 1 ou 2 hrs, quando passar por Londres na volta...

Ha mais ou menos um mes do Natal a galera ja esta se planejando. Eu terei 10 dias de folga, nao sei ainda de quando a quando, mas provavelmente vai cobrir o natal e reveillon, entao estou tranquilo. Com certeza quero ir pra Goa, lado sul-oeste da India, maios ou menos do lado oposto de Chennai.

Goa teve colonizacao portuguesa ha uns seculos atras, dizem que os mais velhos ainda falam portugues. Devido a colonizacao, o numero de cristaos eh grande, assim como as Igrejas, tendo a maior concentracao na India. Entao quero ver qual vai ser. A turma da Aiesec pensa em alugar uma casa nesse tempo, entao nao vai ter erro.

O tempo esta voando. Isso eh fato. 3 semanas na India, loucura total.
As vezes eu nao acredito, ha um mes atras eu tava me recuperando de uma cirurgia, agora to aqui, eu e a minha sombra.

Quando estava vindo pro cyber-cafe pra escrever o blog estava pensando... o que escrever? o que contar? eu nem lembro se isso aconteceu na terca ou na quarta, esse fato eh importante? esse nem tanto...(putz) cai na rotina? ate veio rapido na cabeca - assim como saiu - em parar de escrever o blog. Talvez por preguica de ter que sair de casa e vir registrar meus acontecimentos e o principal, lembrar deles... o mais dificil!

Mas vale muito. Tenho certeza que tenhos broders que estao lendo e acompanhando... torcendo... a familia tambem, logico. Mas eu soh digo uma coisa, ta valendo muito, quando paro na frente desse computador por mais indiano que tenha ao meu redor, eu volto pro Brasil. Mas tambem eh soh levantar e pagar a conta que eu lembro de uma coisa muito importante... eu to fugindo da rotina!