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Arquivo de: Novembro 2007

25.11.07

Chennai 40 graus.

25/Nov/07

Parece que foi so falar e a segunda-feira comecou com chuva. Eu nao sei se eh so aqui em Chennai, ou de repente eh uma peculiaridade da India, mas nao existe boeiros, entao qualquer meia hora de chuva ja motivo pra encher as ruas e calcadas de agua. Como se fosse enchente em Floripa depois de uma semana de chuvarada. Entao me preparei pro trabalho e minha sorte foi ter trazido uma bota impermeavel - presente do meu pai -  que eu trouxe mais pensando em usar caso eu fosse visitar o Himalaya do que aqui em Chennai, onde a temperatura media fica em torno dos 25 graus... Antes de seguir o caminho precisava confirmar o onibus, liguei pro meu colega de trabalho e pra minha surpresa ele me disse que devido a chuva nao iriamos trabalhar... Mas que era pra ficar no aguardo que a qualquer momento ele ia ligar - e ligou de tarde.

Trabalhar na rua tem varias vantagens. Eu nao sei se ja contei e tambem nao vou procurar nos posts anteriores, mas vou descrever um pouco como eh trabalhar no Greenpeace buscando socios:
Primeiro ha um treinamento que eu ja citei anteriormente, apos isso voce teoricamente esta pronto pra ir pra rua abordar pessoas e convence-las de que eh uma boa causa. Afinal ninguem quer financiar uma ONG mensalmente, descontando do cartao de credito ou debito em conta sem saber pra onde o dinheiro ta indo. Mas o que eu quero contar eh a estrategia do negocio. E pra isso ha uma pessoa exclusiva no escritorio pensando em quais lugares, qual epoca e qual horario sao os melhores pra conseguir ter a melhor prospeccao e consequentemente o maior numero de candidatos a socios.

Entao o foco sao pessoas educadas, no sentido literal ate faz sentido, mas eu prefito dizer pessoas conscientes. Porem de nada adianta ser consciente e nao ter dinheiro, pois por mais interessado que seja a pessoa no assunto, nos estamos buscando fundraisers e nao apenas criando conhecimento, portanto o alvo final sao pessoas com alto poder aquisitivo e conscientes ou educadas, facilmente encontradas nas portas de grandes livrarias, shoppings centers, bancos privados e logico, grandes empresas.

Quanto as empresas ha um esquema chamado "permissao" no qual o Territory Manager liga com antecedencia, marca uma reuniao, combina o dia e  a turma do aprouch entra na companhia e monta o cerco na hora do almoco, pois assim como no Brasil, as grandes empresas aqui possuem refeitorios, e eh nessa hora que o bixo pega. Quando estamos em " permissao"  o negocio tem que ser mais direto, rapido. Nao ha enrolacao, pois o candidado a socio tem livre arbitrio pra apoiar ou nao, depende dele. Pois com certeza ele ganha bem e se esta em uma grande empresa deve possuir conhecimento sobre os problemas que o meio ambiente sofre. Falo isso principalmente pelo tempo concedido nas permissoes, geralmente 2 a 3 horas. Enquanto na rua a prospeccao tem que ser feita e as vezes voce perde 20 minutos falando e quando voce cita o apoio financeiro o cara sai correndo...

Outro dia foi engracado. Abordei um cara, ele aparentava ter o perfil, tava numa moto nova e comecei a explicar e ele so respondia: ok, ok, ok... Depois de uns 5 minutos explicando um tema chegou um colega pra dar uma forca. Foi soh meu colega abrir a boca pra falar um negocio o candidato a socio falou: " Eu nao entendo ingles".. porrrr*%#.

Uma coisa que eu queria falar semana passada mas achava que nao era a hora. Ainda continua cedo tambem, mas como ja estou ha um mes aqui acho que ja da pra falar... me sinto em casa!
A adaptacao foi e esta sendo tranquilassa... sinceramente nao tive nenhum problema de saude, problema intestinal, estomacal, respiratorio, dor de cabeca... qualquer coisa, nada! Soh no primeiro e segundo dia que tomei um estomazil depois das jantas pra desencargo de consciencia. Espero continuar nesse ritmo, mas tambem tenho certeza que se der alguma zebra no caminho tenho uma mini-farmacia especialmente preparada pela Terezinha (quem conhece sabe, entao pode imaginar o tamanho da maleta de remedio.., brincadeira) me esperando!

Eu falo isso porque como passo a maior parte do tempo na rua e a cidade eh grande, nao existe o termo: "vou almocar em casa e ja volto" ate pelo preco que se paga nos restaurantes nao vale fazer em casa. Tenho comido em cada quebrada que a turma nao imagina. Apesar de tudo ha higiene sim, nao sou louco, mas eu digo quebrada porque eh quebrada mesmo. Mas aqui na India as aparencias enganam... Enquanto voce esta sentado numa dessas "quebradas", chega tiosinho de camisa e gravata com laptop na pasta e come junto...  Ta certo que perdi dois kgs nas primeiras duas semanas, mas isso faz parte daquela historia de adaptacao...

Parece que foi de um dia pro outro (ou de repente quando a calca ficou mais frouxa) que eu comecei a gostar da comida indiana. De duas semanas pra ca tenho comido varias coisas diferentes e ao contrario do que todo mundo pensa, nem tudo tem pimenta. Pelo contrario, varias coisas doces.

A India ta surpreendendo. Antes de chegar aqui eu imaginava que ia ficar um tempao sem comer carne vermelha... engano. Ontem, sabado a noite a turma do Greenpeace resolveu fazer uma festa. Comida, bebida, musica e os mais nativos (podem me incluir fora dessa) dancando.

Em um mes aqui eu ja vi coisa diferente, estranha, absurda, mas nada igual  ao acougue indiano. As vezes na vida a gente consegue fingir situacoes que nao estao boas dizendo " ok, esta tudo bem", mas tenho certeza que quando eu entrei no acougue minha cara disse tudo: " De hoje eu nao passo".

Chegamos no acougue perto do local da festa e eu ja notei a natividade pelas gaiolas com as galinhas vivas na frente. Vivas ate o momento que meu camarada fez o pedido. Um minuto depois duas delas estavam mortas... mas isso nao eh nada. Por que isso eu considero normal, minha avo faz isso! O que eu achei sinistragem foi o pedaco de boi pendurado num arame. Aquilo sim me fez perguntar: ou vai ou vastra... lembrei das palavras do meu amigo chines quando estavamos um dia na praia e ele pediu peixe frito, eu falei que ele era louco, ele respondeu: "Se voce nao experimentar a India, voce nunca vai conhece-la..." Eu tava la sentado, curtindo a situacao, a galera do Greenpeace fazendo a negociacao de quantos kgs de carne, galinha... aquela historia de quantas pessoas comem... quando eu olho denovo pro pedaco de carne e sem acreditar eu percebo que o rabo do bixo tava la arrastando no chao. Obvio que eu nao vastrei, afinal a turma nao ia me botar em roubada. E soh pra terminar... foi altas janta! Carne macia, frango com alho e cebola, arroz, cerveja gelada, refrigerante... musica... po, isso lembra minha casa!

18.11.07

Aceito sugestoes pro titulo desse post!



18/Nov/2007

Apos uma semana sem escrever, volto com boas noticias. A primeira eh que estou uma semana sem me perder, isso eh muito bom, pois tenho economizado tempo e o esquema de onibus nao eh dificil quanto parecia.
Essa semana vou tentar tirar uma foto de dentro dos onibus pra voces terem uma nocao do que realmente eh um onibus lotado. Ainda nao tirei as fotos porque nao tive coragem. Na verdade ate que nao precisa muita coragem, o que eu nao tive mesmo foi espaco pra me mexer e abrir a mochila... Outra coisa que chama a atencao nos onibus daqui eh a separacao entre homens e mulheres. Ou o lado esquerdo das mulheres e o direito dos homens, ou a frente das mulheres e a parte de tras dos homens. Alem do mais, se tiver vaga no banco do lado de uma mulher, soh outra mulher pode sentar...

Mas apesar do aperto que sao os onibus devo dizer que vale a pena, pois se voce nao tem uma moto, que parece ser a melhor opcao (e a mais kamikaze tambem), os trens funcionam muito bem, porem assim como qualquer lugar os trens sao limitados a certas regioes, entao o negocio eh encarar o latao. Pra voces terem uma ideia, quando eu nao vou de carona com meu roommate pro trabalho, tenho que pegar dois onibus. O primeiro custa 5 rupias (1real = 20rupias) e leva 10 min, o segundo, que eu pego so quando estou atrasado custa 3 rupias, e leva mais 10 minutos tambem. Entao nao da pra reclamar...

Essa segunda semana de trabalho foi muito boa. Tive que aparecer no escritorio somente duas vezes, uma na quarta-feira e outra no sabado. Quarta fui pra pegar mais material e tentar resolver um problema no meu celular, que quando eu comprei faltou um comprovante de trabalho...Entao, pra quem acompanha o blog, vou aproveitar e deixar o numero pra quem quiser me ligar, soh por favor facam a conta antes... pois estou 7h30min na frente de voces. +91 9380435201. E sabado teve uma "reuniao geral" , onde foram discutidos alguns assuntos como metas pra proxima semana, resultados da ultima semana e apresentacao de novos membros, que na real ja comecaram bem faltando.

Essa semana no Greenpeace aconteceu uma coisa nao muito legal, nao pra mim na verdade, mas pra um cara daqui. O lance do Greenpeace eh que o cara tem que demonstrar resultado, ou pelo menos vontade de trabalhar, estudar... aprender. E esse cara ja estava ha um mes como fundraiser e nao estava demonstrando resultado, parecia que nao queria trabalhar, sempre atrasado... e nao deu outra: foi "convidado a se retirar" . Mais uma vez eu vi que nao vim aqui pra brincadeira, qualquer vacilo ou falta de atencao eles nao perdoam, e na minha opniao nao devem perdoar mesmo, pois querendo ou nao o Greenpeace eh como eu costumo apresentar pro publico The World Largest Environmental Organisation, e isso pesa.

No meio da semana, nao lembro o dia certo a turma da Aiesec passou la em casa convidando pra uma partida de futebol nesse domingo (hoje). Nesse mesmo dia tinha uma janta na casa de outros trainnes, coisa leve, troca de ideias, uma cerveja e varias risadas. Assim que chegamos la, a turma do meu ape e eu, encontramos o pessoal da Aiesec convidando a turma pro futebol. Fiquei amarradao em saber que a galera curte uma pelada e tava louco pra jogar, contei pra todo mundo no trabalho... Passou sexta, nada; sabado, nem sinal e domingo nem pra avisar que o futebol foi cancelado... Comprometimento total. Tres semanas aqui ja senti o clima.

Falando em clima, a India eh muito louca. Estamos na Estacao Chuvosa, mas nem por isso chove todo dia, ou melhor, desde que eu cheguei aqui soh choveu duas vezes. Chuvinha de leve, garoa de meia hora. Mas nao foi o que parecia no primeiro dia, saindo do aeroporto. Naquele dia a rua tava um lamacal total, agua em cima das calcadas... tipo enchente. Mas foi soh aquela vez mesmo. Agora em dezembro comeca o inverno. Eu quero ver porque eles chamam de inverno, pois duvido que a temperatura caia muito. O casaco de la e a jaqueta que eu trouxe ainda estao dobradas do mesmo jeito dentro da mochila. De repente eu precise usar por 1 ou 2 hrs, quando passar por Londres na volta...

Ha mais ou menos um mes do Natal a galera ja esta se planejando. Eu terei 10 dias de folga, nao sei ainda de quando a quando, mas provavelmente vai cobrir o natal e reveillon, entao estou tranquilo. Com certeza quero ir pra Goa, lado sul-oeste da India, maios ou menos do lado oposto de Chennai.

Goa teve colonizacao portuguesa ha uns seculos atras, dizem que os mais velhos ainda falam portugues. Devido a colonizacao, o numero de cristaos eh grande, assim como as Igrejas, tendo a maior concentracao na India. Entao quero ver qual vai ser. A turma da Aiesec pensa em alugar uma casa nesse tempo, entao nao vai ter erro.

O tempo esta voando. Isso eh fato. 3 semanas na India, loucura total.
As vezes eu nao acredito, ha um mes atras eu tava me recuperando de uma cirurgia, agora to aqui, eu e a minha sombra.

Quando estava vindo pro cyber-cafe pra escrever o blog estava pensando... o que escrever? o que contar? eu nem lembro se isso aconteceu na terca ou na quarta, esse fato eh importante? esse nem tanto...(putz) cai na rotina? ate veio rapido na cabeca - assim como saiu - em parar de escrever o blog. Talvez por preguica de ter que sair de casa e vir registrar meus acontecimentos e o principal, lembrar deles... o mais dificil!

Mas vale muito. Tenho certeza que tenhos broders que estao lendo e acompanhando... torcendo... a familia tambem, logico. Mas eu soh digo uma coisa, ta valendo muito, quando paro na frente desse computador por mais indiano que tenha ao meu redor, eu volto pro Brasil. Mas tambem eh soh levantar e pagar a conta que eu lembro de uma coisa muito importante... eu to fugindo da rotina!

10.11.07

Continuacao

 

08/Nov/07

Happy Divali: foi a coisa que eu mais escutei dos Indianos. Muito massa, tiosao do elevador do nosso predio oferecendo doces, pessoal muito gentil. Ate no mercado, perto de casa havia varios baloes, um magico que me pegou de cobaia...

Durante a manha foi praticamente pra descansar e curar a ressaca das cervejas quentes que a turma nao aliviou. O almoco foi uma tipica massa chinesa feita pelo Robert, e em seguida tocamos pro sul de Chennai pra casa de um casal sul-africanos pra jantar e ver (e escutar principalmente) o foguetorio indiano.

O Peter e a Danne (o casal) alugaram um apartamento perto da praia, segundo o que eles me contaram, durante a conversa que eles tiveram pra alugar o apartamento, tiveram que assinar contratos afirmando que eram casados (e na real sao namorados), foram perguntandos se eram acostumados a fazer festas, mesmo fora do apartamento... enfim, bem diferente.

Surfista que sou, o que eu mais queria era conhecer a praia, mesmo sabendo que nao tinha onda. Mais pra ver o mar denovo e pisar na areia. Decepcao nao eh a palavra certa pois eu sabia que aqui eh outro mundo entao nao estou aqui pra julgar o que eh certo e errado, apenas ver como funciona. Mas chegar na praia e ver centenas de barraquinhas, como se fosse uma feira gigante, falando em gigante, ate roda gigante na beira do mar tinha, pequena claro, entre outros brinquedos.

Impressionante ver as criancas brincando com os foguetes, a poluicao da areia nao me assustou pois logo de cara que chegamos eu vi uma barraquinha de peixe frito onde apos os clientes irem embora, o lixo era jogado num buraco ali mesmo!

09/Nov/07

Na sexta o Robert tava de folga denovo, e fui de onibus pro Greenpeace. Sao dois onibus, o primeiro 3 rupias e o segundo 2 rupias = 5 rupias = 25 centavos de real. Bem barato.

Chegando no Greenpeace logo recebi meu KIT e de carona com o Madhan fomos pras ruas abordar o pessoal buscando suporte financeiro. Paramos na esquina de um banco, um dos principais da India chamado ICICI.

O trabalho nao eh dificil, minha tarefa eh explicar o que eh o Greenpeace, apresentar alguns temas ambientais e depois perguntar se a pessoa quer colaborar. O dificil eh quando algum indiano faz perguntas... Pois o sotaque eh muito diferente. Mas o negocio ta indo... E nesse dia consegui coletar varias assinaturas pra uma campanha e consegui meu primeiro apoiador! Foi legal, meu colega ligou pro escritorio e nos proximos 20 minutos recebi varias ligacoes me parabenizando!

Voltei de trem pra casa e logo cheguei, saimos pra jantar num restaurante muito bom da cidade e estava lotado, segundo o Rolf. Porem, eh impressionante ver como os indianos sao espertos, pois chegou uma hr que nos eramos os proximos a pegar a mesa e a turma ia passando na frente, sentando e isso se repetiu duas vezes. Ficamos de cara e saimos. Enquanto esperavamos um taxi o dono foi nos chamar na rua... "tarde de mais meu amigo". Fomos em outro, creio que foi a melhor escolha, nao havia muita gente, bastante frango, comidas tipicas e salada!

Assim que saimos do restaurante, passamos em uma Wine Shop pra comprar bebidas e ir pra um outro apartamento de trainnes. Nao era uma efsta, mas um encontro so de sexta a noite. Pois a galera estava planejando fazer uma viagem no sabado e estavam combinando algumas coisas...

O tema do encontro era paises latino americanos, entao levei a Chacaca que eu trouxe e a galera se amarrou, ate o russo (que curte tomar umas) achou forte e fez cara feia... e logico, ouvindo muita salsa e outros ritmos da colombia o pessoal comecou a dancar e tal. Ate que pediram pra eu dancar samba. Quem me conhece sabe que de samba eu nao sei nada, mas.... que mal iria fazer passar uma vergonha na frente da galera, cada um vindo de um canto do mundo aqui na India... baixei uma musica da Mangueira e soltei o pe no estilo Coisinha de Jesus..


Comecou com roubada e terminou em samba!

04/Nov/07

A minha segunda semana aqui na India comecou com uma viagem no domingo (03/nov) pra uma cidade aproximadamente 300Km ao norte de Chennai. Se nao me engano o nome da cidade eh Tirupali, onde ha uma grande montanha e um templo, destino de peregrinos...

Pegamos o guia (livro), Robert, Rolf e eu e partimos cedo, pois eram 4 hrs de viagem de onibus. A maior aventura, os motoristas sao loucos e o transito na India deve ser o mais perigoso do mundo. Mas chegamos vivos! Quando chegamos no templo, vimos que era um legitimo destino de peregrinos hindus, onde de cara percebemos que somente nos 3 entre as 5000 pessoas  eram estrangeiros... na real foi uma roubada, a primeira! Alem da chuva que pegamos, havia uma fila infinita pra conhecer o templo por dentro, e quando eu falo infinita pode acreditar, pois nos andamos ao redor do templo, em torno de 3Km e nao achamos o comeco da fila... Almocamos e voltamos pra Chennai em mais 5 hrs de onibus...

05/Nov/07

Primeiro dia de trabalho: acordei cedo, preparei a mochila e com algumas referencias peguei carona com o Robert - de moto -  e fomos cedo. O trabalho do Robert eh no caminho do meu, entao pego carona com ele e depois pego um onibus aproximadamente 2 a 3 km e estou no escritorio.

Depois de 1 hr perdido procurando o lugar achei... bem na hora chegou o pessoal da aiesec perguntando porque nao tinha ligado pra eles... Se tivesse, quem sabe meio dia eles tinham aparecido...

A primeira impressao que eu tive do Greenpeace foi de muita organizacao. Um escritorio com 4 salas, dois computadores, varias revistas,  posters na parede, armarios cheios de material... muito legal. Logo fui recebido pelo Jagan, meu chefe e o Territory Manager do Greenpeace aqui na India. A primeira coisa que ele me perguntou foi "Por que o Greenpeace?". Na real foi uma pergunta facil, mas na pratica a resposta nao eh bem assim. Conversamos por volta de meia hora e as meninas da aiesec foram embora. Fiquei no escritorio com mais outra menina da India que estava comecando tambem.

O primeiro dia de trabalho na verdade nao falamos muito sobre o Greenpeace, mas sim mais sobre alguns valores, alguns lideres mundiais e alguns acontecimentos que vem mudando o mundo dia a dia.  Fiquei la ate perto das 6 hrs e o proprio Jagan me levou no onibus que eu tinha que pegar pra voltar pra casa... Cheguei em casa e capotei.

06/Nov/07

Mesmo esquema, acordei, cafe da manha e carona pro trabalho...

Logo que cheguei no Greenpeace sentei pra conversar com a mulher responsavel pelo gerenciamento do escritorio (ainda nao sei o nome dela), ela me solicitou alguns documentos, pois vou ter que abrir uma conta pra receber o salario. Copias de passaporte, visto, comprovante de residencia, tipo sanguineo, etc... Em seguida voltei a conversar com o Jagan.

Ele comecou a me explicar o inicio do Greenpeace, historia, ideologia, enfim, o porque do Greenpeace existir. Realmente alucinante...

Comecei a perceber o quao interessante eh a metodologia de ensino que o Greenpeace faz no treinamento de seus funcionarios. Ja tive algumas oportunidades de alguns estagios anteriores, mas aprender desde o inicio sobre uma organizacao, como eles ensinam, esta sendo a primeira vez. Aquele lance de cultura organizacional que se ve nas aulas de administracao eh muito forte no Greenpeace.

Falando um pouco sobre a India, essa semana esta sendo comemorado um festival chamado DIVALI, que significa o festival das luzes, eh a maior festa do meu estado, Tamil Nadu,  ha doces tipicos indianos e muita festa. Entao nada mais justo do que acender fogos de artificios e rojoes. Porem, os indianos ou nao tem nocao ou realmente amam barulho. Pois sinceramente somando todos os reveillons que eu ja passei na minha vida nao chegou nem perto do que em um unico dia eu escutei de foguetorio! Haja ouvido!

07/Nov/07

No terceiro dia de trabalho eu fui de onibus, pois devido as festividades, o Robert foi liberado do emprego. Fui amarradao, ja meio que reconhecendo algunas lugares. Chennai eh enorme, completamente dificil de andar a pe e se localizar. A cidade tem cerca de 6 milhoes de habitantes numa mistura de tecnologia com miseria; o colorido dos templos hindus e a escuridao das favelas; o otimo cheiro dos incensos das feiras e o fedor dos rios.

Chegando no Greenpeace havia mais gente que o normal. Na verdade eram os meus colegas de trabalho que eu ainda nao os conhecia. Entao nos sentamos em circulo e o Jagan apresentou os resultados do ultimo mes, como balancos, numero de apoiadores, etc... Depois foi engracado, eu nunca tinha visto nada igual: o Madhan (um direct dialoguer) pegou um caderno e comecamos uma especia de quiz, onde o tema principal era meio ambiente mas havia questoes gerais tambem. Se a pergunta fosse boa, a pessoa ganhava um ponto e quem acertasse a resposta ganhava outro. Entre uma pergunta e outra, muita gozacao e brincadeiras. No final dsitribuicao de chocolates pros melhores desempenhos.

Isso ja era quarta feira, e como quinta era feriado (DIVALI) os trainnes da Aiesec fizeram uma festa, tanto pelo feriado de quinta e porque uma menina de Blangadesh estava indo embora. A festa foi irada, num ape so de trainnes: gente da russia, lituania, alemanha, belgica, china, colombia, holanda, africa do sul... e brasil neh. Ate porque eu nao era o unico. Ha outra menina de Campinas trabalhando numa ong tambem, a Natalia.

Ainda falando da festa, eu nao sei se em Bangladesh nao pode beber ou se a menina que tava indo embora realmente nao tava nem ai pois afinal, estava indo embora e provavelmente nao ia ver alguem de nos nunca mais. Acho que por isso ela resolveu chutar o balde. Tomou todas e mais um pouco. Foi muito engracado... ate a hora da vizinhanca bater e pedir pra parar com o barulho...

 

 

 

 

03.11.07

Chegada na India

30/Out/2007


A chegada na India depois de quase 20 horas de voo foi tranquila. Depois de esperar quase 1h pela minha mochila na esteira fui recepcionado por 3 membros da Aiesec. Atravessamos a cidade ate chegar no meu apartamento, mas antes mesmo de sair do aeroporto ja notei que a poluicao faz parte da cidade, ou melhor, do pais.

No caminho para o apartamento apesar de ser quase 2hrs da manha, deu pra ver que Chennai nao para mesmo durante a madrugada. Sao homens trabalhando em obras, taxistas alucinados buzinando por todos os lados ou mesmo funcionarios (creio ser) da prefeitura puxando a agua das ruas devido as chuvas. Eh bem normal fazer isso pois a agua nao tem para onde ir.

A chegada no apartamento foi legal. Um belga (o Rolf) que veio passar um ano na India para ensinar ingles me recepcionou e ja me mostrou como funcionam todos os esquemas de agua e luz do apartamento, pois ha horas com e horas sem agua, por isso ha momentos em que tanques devem ser cheios, etc...

Apos 10 hrs de sono, acordei e conheci a Milena, uma menina da Servia que esta aqui desde julho trabalhando no hotel Shearaton. Conversamos um pouco e ela foi trabalhar. Entao sai com o Rolf pra conhecer um pouco da cidade, ir no shopping trocar dinheiro, comprar coisas no mercado... enfim, ir me familiarizando com o lugar aonde eu vou ficar os proximos 4 meses!

01/Nov/2007
O segundo dia na India conheci o terceiro roomate do apartamento. Robert, um chines que esta fazendo um TT na TATA, uma multinacional que dentre varias coisas desenvolve softwares.

Saimos pra almocar num tipico restaurante indiano e ja deu pra sentir o gosto apimentado dos diversos molhos da comida local (Tamil). Apos um estomazil e um epocler tava tudo ok e continuamos andando pela cidade.

Na tarde, conversando com o Rolf que ainda nao comecou a trabalhar como eu, decidimos fazer uma short trip pro sul da India, aonde ha diversos templos e cidades turisticas. Fizemos um trajeto baseado em guias, reservamos as passagens de trem, arrumamos as mochilas e partimos.

As viagens de trem pela India parecem ser bem seguras, como eramos marinheiros de primeira viagem, optamos pagar um pouco mais e ir na primeira classe. Uma especie de vagao coletivo com varios triliches e ar condicionado. Saimos 9:30 da noite de Chennai e chegamos as 5:30 da manha e Mandurai, cerca de 450Km ao sul da India.

Apos o desembarque em Madurai, apesar de estar bem cedo, fomos direto em busca de um hotel, 10 minutos depois ja haviamos conseguido.

Madurai eh mundialmente famosa pelo seu gigantesco complexo de Templos, denominados Sri Meenakshi. Taxas de entrada para estrangeiros sao absurdamente mais caras que para a populacao local, mesmo nao senod hindus. Mas mesmo assim muito baratas. Visitamos pela manha esse complexo e durante a tarde o Memorial do Ghandi, bastante interessante com varias fotos, historias e alguns objetos pessois.

Para fazer esse trajeto Templo-Memorial, contratamos uma especie de charrete soh que puxado com bicicleta. Combinamos o preco de 50 rupias para a ida, quase 2 reais. Morgan, o indiano que nos levou decidiu ficar esperando. Esperou por duas horas, uma ate o memorial abrir e outra enquanto visitavamos. Claro que voltamos com ele, porem na volta ele queria cobrar 500 rupias, pagamos 200 e ele saiu rindo.

02/Nov/2007
Apos dormir no hotel, acordamos e fomos direto pra rodoviaria que apesar de parecer muito confusa (e realmente eh) funciona bem. Nos informamos e pegamos um onibus para Tiruchirappalli, conhecida como Trichy. La tambem haviam varios templos, a torre mais alta da India e um lugar que eu gostei chamado Rockfort Temple. Uma construcao em cima de uma pedra bastante interessante.

Nesses passeios, o que me chamou a atencao foi a ausencia de turistas estrangeiros. Pelo que eu li nos guias Lonely Planet cidades como estas normalmente estao cheias de turistas, mas pelo que pude ver, elas eram realmente cheias - como a India toda eh na verdade - de turistas indianos de outros estados.

Voltamos pro centro e compramos passagens de trem de volta para Chennai. So havia horario para 1 da manha, esperamos umas 3 horas na estacao. Nesse meio tempo pessoas vinham e perguntavam meu nome, de onde eu era, o que fazia la, pediam pra bater fotos ou apenas pra dizer oi e sejam bem vindos a India!

03/Nov/2007
Ja passava da 1 da manha e o trem ainda nao havia chegado. Confirmei que o trem estava vindo com meia hora de atraso, que depois se transformou em uma hr. Enquanto esperava para partir, notei bem na minha frente que havia uma mulher diferente das outras. Diferente pois ela nao usava roupas tradicionais indianas, apesar de estar bem discreta. Acompanhada, a mulher logo comecou a chamar atencao de todos que passavam, nao pela roupa que ela usava, mas por se tratar de uma famosa atriz de filmes da India, e como aqui sao produzidos mais filmes do que em Hollywood, ela devia ser conhecida mesmo.

Parti para Chennai novamente na primeira classe, pois como comprei o ticket em cima da hora numa vespera de fim de semana, foi a unica opcao. Apos 7hrs de sono/viagem, cheguei na estacao de trem de Egmore, Chennai. 5min do meu apartamento.

O dia comecou cedo, mas soh deu tempo para arrumar as coisas de volta e ligar pro pessoal da Aiesec me pegar pra ir pro Greenpeace encontrar o pessoal com quem vou trabalhar.

Conforme combinado, esperei e nao apareceram. Entao, decidi ir com o pessoal de casa para o shopping aonde o Robert queria comprar algumas coisas e aonde mais tarde almocariamos.

O shopping na India parece um pouco (um pouco) com o do Brasil. Ha lojas da Nike, Adidas, Rolex, Lee, Pizza Hut, comida australiana, italiana enfim... varias coisas que eu nunca imaginei encontrar num shopping, encontrei aqui. Porem, claro que ha varias lojas de tapetes, tecidos, artefatos indianos, exposicoes etc...

Apos mais algumas compras do Robert, voltamos pra casa e por volta das 18 horas a turma da aiesec me pegou pra enfim irmos pro Greenpeace.

O Daniel, um membro da aiesec daqui de Chennai me levou ate o escritorio do Greenpeace numa camionete estilo Land Rover, ar condicionado e motorista particular... completamente diferente da realidade das pessoas que andam pelas ruas da cidade - completamente diferente!

Pra variar, o transito louco da cidade nos deixou emperrado e por mais que o motorista buzinasse ficamos um tempao parado. Consequentemente, chegamos no Greenpeace e ja estava fechado! Ficou pra segunda feira o primeiro contato...

Fiquei meio chateado pois estava muito afim de conhecer o pessoal pra comecar a trabalhar logo, mas nao pude fazer nada. Em seguida, encontramos duas meninas membros da aiesec, enquanto falavam comigo, respondiam mensagens e telefonemas que nao paravam de tocar...

Enquanto me traziam de volta pra casa, em outro carro, porem com motorista particular denovo, me convidaram pra ir num ' club' , quase aceitei, mas depois de dormir uma noite num trem tive que optar pelo bom senso e descansar, pois apesar do pouco tempo que estou aqui, vejo que embora todas as dificuldades que eu possa encontrar, esta sendo uma grande e desafiadora oportunidade de desenvolvimento.