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08/Nov/07
Happy Divali: foi a coisa que eu mais escutei dos Indianos. Muito massa, tiosao do elevador do nosso predio oferecendo doces, pessoal muito gentil. Ate no mercado, perto de casa havia varios baloes, um magico que me pegou de cobaia...
Durante a manha foi praticamente pra descansar e curar a ressaca das cervejas quentes que a turma nao aliviou. O almoco foi uma tipica massa chinesa feita pelo Robert, e em seguida tocamos pro sul de Chennai pra casa de um casal sul-africanos pra jantar e ver (e escutar principalmente) o foguetorio indiano.
O Peter e a Danne (o casal) alugaram um apartamento perto da praia, segundo o que eles me contaram, durante a conversa que eles tiveram pra alugar o apartamento, tiveram que assinar contratos afirmando que eram casados (e na real sao namorados), foram perguntandos se eram acostumados a fazer festas, mesmo fora do apartamento... enfim, bem diferente.
Surfista que sou, o que eu mais queria era conhecer a praia, mesmo sabendo que nao tinha onda. Mais pra ver o mar denovo e pisar na areia. Decepcao nao eh a palavra certa pois eu sabia que aqui eh outro mundo entao nao estou aqui pra julgar o que eh certo e errado, apenas ver como funciona. Mas chegar na praia e ver centenas de barraquinhas, como se fosse uma feira gigante, falando em gigante, ate roda gigante na beira do mar tinha, pequena claro, entre outros brinquedos.
Impressionante ver as criancas brincando com os foguetes, a poluicao da areia nao me assustou pois logo de cara que chegamos eu vi uma barraquinha de peixe frito onde apos os clientes irem embora, o lixo era jogado num buraco ali mesmo!
09/Nov/07
Na sexta o Robert tava de folga denovo, e fui de onibus pro Greenpeace. Sao dois onibus, o primeiro 3 rupias e o segundo 2 rupias = 5 rupias = 25 centavos de real. Bem barato.
Chegando no Greenpeace logo recebi meu KIT e de carona com o Madhan fomos pras ruas abordar o pessoal buscando suporte financeiro. Paramos na esquina de um banco, um dos principais da India chamado ICICI.
O trabalho nao eh dificil, minha tarefa eh explicar o que eh o Greenpeace, apresentar alguns temas ambientais e depois perguntar se a pessoa quer colaborar. O dificil eh quando algum indiano faz perguntas... Pois o sotaque eh muito diferente. Mas o negocio ta indo... E nesse dia consegui coletar varias assinaturas pra uma campanha e consegui meu primeiro apoiador! Foi legal, meu colega ligou pro escritorio e nos proximos 20 minutos recebi varias ligacoes me parabenizando!
Voltei de trem pra casa e logo cheguei, saimos pra jantar num restaurante muito bom da cidade e estava lotado, segundo o Rolf. Porem, eh impressionante ver como os indianos sao espertos, pois chegou uma hr que nos eramos os proximos a pegar a mesa e a turma ia passando na frente, sentando e isso se repetiu duas vezes. Ficamos de cara e saimos. Enquanto esperavamos um taxi o dono foi nos chamar na rua... "tarde de mais meu amigo". Fomos em outro, creio que foi a melhor escolha, nao havia muita gente, bastante frango, comidas tipicas e salada!
Assim que saimos do restaurante, passamos em uma Wine Shop pra comprar bebidas e ir pra um outro apartamento de trainnes. Nao era uma efsta, mas um encontro so de sexta a noite. Pois a galera estava planejando fazer uma viagem no sabado e estavam combinando algumas coisas...
O tema do encontro era paises latino americanos, entao levei a Chacaca que eu trouxe e a galera se amarrou, ate o russo (que curte tomar umas) achou forte e fez cara feia... e logico, ouvindo muita salsa e outros ritmos da colombia o pessoal comecou a dancar e tal. Ate que pediram pra eu dancar samba. Quem me conhece sabe que de samba eu nao sei nada, mas.... que mal iria fazer passar uma vergonha na frente da galera, cada um vindo de um canto do mundo aqui na India... baixei uma musica da Mangueira e soltei o pe no estilo Coisinha de Jesus..

criado por Rafael Dal Pont
03:02:0604/Nov/07

A minha segunda semana aqui na India comecou com uma viagem no domingo (03/nov) pra uma cidade aproximadamente 300Km ao norte de Chennai. Se nao me engano o nome da cidade eh Tirupali, onde ha uma grande montanha e um templo, destino de peregrinos...
Pegamos o guia (livro), Robert, Rolf e eu e partimos cedo, pois eram 4 hrs de viagem de onibus. A maior aventura, os motoristas sao loucos e o transito na India deve ser o mais perigoso do mundo. Mas chegamos vivos! Quando chegamos no templo, vimos que era um legitimo destino de peregrinos hindus, onde de cara percebemos que somente nos 3 entre as 5000 pessoas eram estrangeiros... na real foi uma roubada, a primeira! Alem da chuva que pegamos, havia uma fila infinita pra conhecer o templo por dentro, e quando eu falo infinita pode acreditar, pois nos andamos ao redor do templo, em torno de 3Km e nao achamos o comeco da fila... Almocamos e voltamos pra Chennai em mais 5 hrs de onibus...
05/Nov/07
Primeiro dia de trabalho: acordei cedo, preparei a mochila e com algumas referencias peguei carona com o Robert - de moto - e fomos cedo. O trabalho do Robert eh no caminho do meu, entao pego carona com ele e depois pego um onibus aproximadamente 2 a 3 km e estou no escritorio.
Depois de 1 hr perdido procurando o lugar achei... bem na hora chegou o pessoal da aiesec perguntando porque nao tinha ligado pra eles... Se tivesse, quem sabe meio dia eles tinham aparecido...
A primeira impressao que eu tive do Greenpeace foi de muita organizacao. Um escritorio com 4 salas, dois computadores, varias revistas, posters na parede, armarios cheios de material... muito legal. Logo fui recebido pelo Jagan, meu chefe e o Territory Manager do Greenpeace aqui na India. A primeira coisa que ele me perguntou foi "Por que o Greenpeace?". Na real foi uma pergunta facil, mas na pratica a resposta nao eh bem assim. Conversamos por volta de meia hora e as meninas da aiesec foram embora. Fiquei no escritorio com mais outra menina da India que estava comecando tambem.
O primeiro dia de trabalho na verdade nao falamos muito sobre o Greenpeace, mas sim mais sobre alguns valores, alguns lideres mundiais e alguns acontecimentos que vem mudando o mundo dia a dia. Fiquei la ate perto das 6 hrs e o proprio Jagan me levou no onibus que eu tinha que pegar pra voltar pra casa... Cheguei em casa e capotei.
06/Nov/07
Mesmo esquema, acordei, cafe da manha e carona pro trabalho...
Logo que cheguei no Greenpeace sentei pra conversar com a mulher responsavel pelo gerenciamento do escritorio (ainda nao sei o nome dela), ela me solicitou alguns documentos, pois vou ter que abrir uma conta pra receber o salario. Copias de passaporte, visto, comprovante de residencia, tipo sanguineo, etc... Em seguida voltei a conversar com o Jagan.
Ele comecou a me explicar o inicio do Greenpeace, historia, ideologia, enfim, o porque do Greenpeace existir. Realmente alucinante...
Comecei a perceber o quao interessante eh a metodologia de ensino que o Greenpeace faz no treinamento de seus funcionarios. Ja tive algumas oportunidades de alguns estagios anteriores, mas aprender desde o inicio sobre uma organizacao, como eles ensinam, esta sendo a primeira vez. Aquele lance de cultura organizacional que se ve nas aulas de administracao eh muito forte no Greenpeace.
Falando um pouco sobre a India, essa semana esta sendo comemorado um festival chamado DIVALI, que significa o festival das luzes, eh a maior festa do meu estado, Tamil Nadu, ha doces tipicos indianos e muita festa. Entao nada mais justo do que acender fogos de artificios e rojoes. Porem, os indianos ou nao tem nocao ou realmente amam barulho. Pois sinceramente somando todos os reveillons que eu ja passei na minha vida nao chegou nem perto do que em um unico dia eu escutei de foguetorio! Haja ouvido!
07/Nov/07
No terceiro dia de trabalho eu fui de onibus, pois devido as festividades, o Robert foi liberado do emprego. Fui amarradao, ja meio que reconhecendo algunas lugares. Chennai eh enorme, completamente dificil de andar a pe e se localizar. A cidade tem cerca de 6 milhoes de habitantes numa mistura de tecnologia com miseria; o colorido dos templos hindus e a escuridao das favelas; o otimo cheiro dos incensos das feiras e o fedor dos rios.
Chegando no Greenpeace havia mais gente que o normal. Na verdade eram os meus colegas de trabalho que eu ainda nao os conhecia. Entao nos sentamos em circulo e o Jagan apresentou os resultados do ultimo mes, como balancos, numero de apoiadores, etc... Depois foi engracado, eu nunca tinha visto nada igual: o Madhan (um direct dialoguer) pegou um caderno e comecamos uma especia de quiz, onde o tema principal era meio ambiente mas havia questoes gerais tambem. Se a pergunta fosse boa, a pessoa ganhava um ponto e quem acertasse a resposta ganhava outro. Entre uma pergunta e outra, muita gozacao e brincadeiras. No final dsitribuicao de chocolates pros melhores desempenhos.
Isso ja era quarta feira, e como quinta era feriado (DIVALI) os trainnes da Aiesec fizeram uma festa, tanto pelo feriado de quinta e porque uma menina de Blangadesh estava indo embora. A festa foi irada, num ape so de trainnes: gente da russia, lituania, alemanha, belgica, china, colombia, holanda, africa do sul... e brasil neh. Ate porque eu nao era o unico. Ha outra menina de Campinas trabalhando numa ong tambem, a Natalia.
Ainda falando da festa, eu nao sei se em Bangladesh nao pode beber ou se a menina que tava indo embora realmente nao tava nem ai pois afinal, estava indo embora e provavelmente nao ia ver alguem de nos nunca mais. Acho que por isso ela resolveu chutar o balde. Tomou todas e mais um pouco. Foi muito engracado... ate a hora da vizinhanca bater e pedir pra parar com o barulho...

criado por Rafael Dal Pont
03:01:43