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Terra Blog

Arquivo de: Dezembro 2007, 09

09.12.07

O Surfista Peregrino

09/Dec/07

Apos duas semanas sem contato com o planeta Terra volto aqui outra vez pra escrever mais um capitulo da jornada do surfista peregrino... Ta certo que o mar nao tem onda, eu nao tenho prancha e a praia parece mais uma feira livre, mas eu continuo lembrando do surf todo dia. O que me motiva eh saber que nao vou ficar aqui pro resto da vida e depois quando voltar pra Floripa a turistada ja vai ter ido embora e os primeiros swells do veranico de Marco logo comecam a pintar...

Sonho a parte, aqui as coisas continuam na crescente. Nessas duas ultimas semanas visitei 3 grandes empresas de TI. Ja vou avisando pra galera da Computacao, Sistemas de Informacao que aqui eh o paraiso. A cada 10 pessoas que eu abordo na rua 9 (pelo menos) trabalham com isso e pelo numero de edificios que estao sendo construidos o negocio tem muito a crescer ainda.  Pra terem uma ideia, o governo indiano ta quase doando os terrenos numa regiao mais ao sul de Chennai, cerca de 30 Km da cidade e tranformado a area num verdadeiro parque tecnologico onde modernos edificios se misturam com um enorme canteiro de obras. Pra comecar o nome da principal rodovia eh "IT Highway". Outra coisa que chama atencao aqui na India eh o enorme numero de vagas de emprego oferecidas. Ha anuncios nos jornais todos os dias, nas paradas de onibus, dentros dos onibus e trens. Alem do mais, ha um grande numero de Faculdades voltada pra essa area, onde antes mesmo de terminar o curso as empresas ja recrutam  os estudantes. Empresas como Tata, Wipro, Hcl, E-bay, Ascendas dominam o mercado indiano, e quem comecar cedo em uma delas pode ter certeza que o futuro esta encaminhado.

Mas como dizia um professor meu do terceirao, "nem tudo sao flowers". Digo isso porque apos um mes de trabalho chegou a hora de ver a cor da grana. Mas pra isso acontecer eu precisava de uma permissao de trabalho aqui na India. Ai que a encrenca comecou... Eu chamo de encrenca mais poderia chamar de novela, pois como de costume o pessoal da Aiesec aqui nao sao tao comprometidos assim como se esperava. Era quinta feira passada, eu estava no meio do meu trabalho quando um membro da aiesec me liga intimado pra comparecer no local (que depois de ir 5 vezes eu ainda nao sei o nome) da permissao de trabalho. Segundo ele, eu soh precisava levar o passaporte e um documento do Greenpeace que eu ja tinha. No meu pensamento quando alguem liga pra outra pessoa intimando pra comparecer com o passaporte e esse tal documento, subentende-se que esta tudo pronto, apenas vou pegar o documento e de repente assinar algumas coisas. Porem, nao foi bem assim. Cheguei no lugar e logo perguntei pro camarada da aiesec os procedimentos. Antes de ele me responder ele pegou o celular e ligou pra alguem, apos 10 minutos ele me respondeu: "Hoje nos vamos pegar a lista de documentos que tu precisa. Na segunda a gente vem e entrega tudo". Deu vontade de matar o cara. Eu nao acreditava na situacao. Era tao obvio que eu nao precisava estar junto pra pegar a lista, vir de tao longe pra pegar uma folha escrita a mao os documentos que eu precisava... As vezes eu penso se isso acontece soh na Aiesec, por ser uma organizacao estudantil  (e nao os culpo por isso, logico) ou se todos indianos fazem negocio desse jeito. Mas o que pelo menos da a entender eh que o pessoal aqui nao tem a menor nocao de onde esta pisando. No meu ponto de vista, tentando sempre facilicar os negocios era muito mais facil o cara ter me ligado, ou nem isso, mandado uma mensagem falando dos documentos necessarios. E pior, os documentos que eram requeridos eu tinha, quem nao tinha os outros era ele. Na segunda-feira o Aiesecer nao apareceu, na terca ligou avisando que o negocio ia ser na quinta. Liguei na hora pro chefia no Greenpeace e marquei uma reuniao: eu o chefe e o broder da aiesec. Primeiro porque eu nao sou palhaco depois porque eu so recebo o money se tiver esse papel na mao. Depois do camarada escutar umas do chefia o negocio comecou a andar e no outro dia (quarta) voltei la mais uma vez e pequei a fila. Pela segunda vez a mulher (braba pra cacete, como se a India tivesse fazendo um favor pra mim) nao aceitou os documentos. Faltava uma maldita carta da Aiesec. Sai rindo da sala e por coincidencia encontrei meu amigo chines na mesma situacao: dependendo da aiesec. O problema dele eh diferente, ele mora aqui ha 9 meses e tem visto de um ano, o lance eh que ele quer renovar o visto pra mais um ano e por ser chines e segundo ele as relacoes china-india nao sao as melhores, provavelmente ele vai ter que voltar pra Beijing pra poder solicitar um novo visto... Pra encurtar a estoria fomos o broder da aiesec e eu numa lanhouse perto imprimir essa tal carta que ele fez na hora. Eu nao sabia se ria ou se chorava porque era uma coisa tao simples que eu nao acreditava que eles nao tinham uma sequencia padrao de servico voltado pros trainnes, que sao mais de 20 atualmente.

No fim tudo resolvido, e apesar de tudo isso o final de semana ia comecar com um jantar de despedida de uma trainne brasileira que apos 3 meses na India e um no Cazaquistao estava voltando pra Campinas,SP. O jantar foi nessa sexta-feira, num clube da cidade. Quando eu recebi a mensagem ja tava trabalhando e como o lugar era por perto ia sair direto do trabalho pra esse clube. Mandei a mensagem pro Rolf, meu amigo belga pedindo pra trazer uma camiseta limpa pelo menos pra fazer a social... Encontrei com ele e a Milena, a menina da Servia que mora comigo e ta indo embora tambem nesse fim de semana... O cara trouxe a camiseta, eu vesti e quando tava entrando no clube de cara encontramos o Bala. O Bala eh um indiano amigo da galera. O bixo conhece todo mundo, tem varios negocios aqui e  eh um bom contato  na cidade.  Na hora a gente pensou que o Bala tava indo no mesmo jantar que a gente, pois ele eh amigo da Natalia, brazuca que tava se despedindo. Mas nao, o Bala tava numa outra festa, no mesmo clube mas em outro salao, era casamento nao sei de quem. Assim que nos viu nos convidou pra essa tal festa. A gente nao tinha nada a perder, afinal tava meio cedo pro jantar da Natalia e nao custava nada dar uma conferida no casorio dos indianos... Ficamos pouco tempo la mas deu pra notar que enquanto a cerimonia tava rolando, a galera ja tava jantando... Disparado depois dos noivos o centro de atencao era nos. Um chines, um belga, uma servia e um brasileiro com a mochila do trabalho nas costas em plena festa... O negocio nao parou por ai, depois de uns 20 minutos fomos pro outro salao e antes de entrar fui informado que a minha roupa era impropria. Pela segunda vez na India fui impedido de entrar num lugar por causa da roupa, a primeira vez foi numa balada que eu tinha ido de bermuda. Ao contrario da primeira vez esse problema foi resolvido na hora. Assim que ele disse que minha camiseta nao tinha gola, ja tirou uma camisa novinha de baixo do balcao e me deu pra vestir. A primeira coisa que eu fiz por perguntar se eu tinha que pagar por isso. Na real perguntei nao pelo fato de ter que comprar, afinal ate tava precisando uma camisa nova, mas perguntei sinceramente pelo fato da camisa ser alaranjada no estilo festa-junina, entao logo pensei, se tiver que pagar, pelo menos escolho uma coisinha melhor... No fim das contas o jantar foi servido em uma sala particular, com 3 garcons pra 10 convidados. Boa comida, vinho tinto e Balantines. O patrocinador do jantar era o chefe da Natalia. O cara eh a maior figura, fala mais que o homem da cobra e nao perde uma oportunidade pra soltar uma indireta pras trainnes. No final foi engracado, o bixo pagou a conta e quando a gente tava quase no portao de saida veio o garcom correndo com a ultima nota descriminando minha camisa.

Mas antes de tudo isso que eu acabei de contar, final de semana passado 01 e 02 de dezembro fui com a galera do apartamento pra Pondicherry. Pondicherry eh uma praia em torno de 100km ou mais ao sul de Chennai com forte influencia francesa devido colonizacao. Eh engracado e eu ainda nao descobri o porque, mas apesar de estar no meio do estado de Tamil Nadul, Pondicherry nao eh considerada parte desse estado. No fim eh melhor, pois os precos sao mais baixos ainda, pois nao ha impostos. O pico nem parece a India, ou melhor, eh uma India diferente da que eu to acostumado ver todo dia. Pondicherry eh uma praia sossegada, tudo muito perto, limpa e sem barulho (nos padroes indianos). Sai de Chennai no sabado a noite, depois de 3 horas chegamos na cidade. Ja era madrugada mas deu pra dar uma volta pelo centrinho e ver a praia e a lua cheia... No outro dia  foi irado, alugamos bicicletas e tocamos pras outras praias cerca de 10km ao norte. Visitamos a Auroville Internacional Village. Um resort muito irado, de frente pro mar (que apesar de nao ter onda lembrava a Mole, mar de tombo e areia grossa e agua clara), soh turistas estrangeiros. Soh faltou as ondas...