16/Dec/07
Nao to falando do livro do Chetan Bhagat (One Night at the Call Center), mas sim de uma madrugada minha com a turma do Greenpeace num Call Center aqui de Chennai essa semana:
Na terca feira o coordenador do grupo me perguntou se eu gostaria de fazer um expediente noturno na quarta. Horario definido das 5 da tarde as 5 da manha, sendo 4 horas de intervalos intercalados e na quinta feira com trabalho somente na tarde. Eu aceitei. Na quarta feira 5 da tarde estavamos la o time completo pra mais um dia - ou noite - de trabalho. Depois de meia hora de espera pra sermos atendidos e fazer aquela burocracia de assintaturas, crachas e permissoes pra andar dentro da empresa o sono comecou a bater. E nao era nem 6 da tarde... As permissoes dentro das empresas na minha opiniao sao as melhores formas de conseguir socios pra ong. Uma vez que a galera ja conhece o assunto e tem emprego, o negocio fica mais facil. Mas hoje nao to aqui pra falar do meu estagio, mas sim do emprego dos outros.
E apos arrumarmos a mesa, os panfletos, a bandeira, os kits... era hora de comecar a abordar o pessoal. Pra comecar a estoria a empresa se chama Sitel e fica em cima de um shopping center da cidade. Pelo mapa na parede do escritorio que eu vi logo na entrada, a Sitel presta servicos de BPO (Business Process Outsourcing) pro mundo inteiro, incluindo o Brasil, com 3 escritorios em SP, RJ e BA. Porem esse escritorio aqui em Chennai presta servicos pro Canada, nao precisou nem perguntar pra saber, pois na parede do refeitorio havia um relogio enorme escrito embaixo OTAWA...(em plena India).
O refeitorio tinha o teto verde e vermelho, no meio passava uma estrada com destino a porta de saida. Cores muito fortes e o ambiente muito iluminado. Eu nao entendo esse lance de cores e simbolos mas creio que tudo isso eh pra estimular a turma ficar ligada na madrugada. Restaurante 24horas com comida feita na hora, tudo fresco e novo, e pago, claro. A nao ser o cafesinho, duas maquinas de Nescafe novas, soh colocar o copo embaixo, apertar numero 1 e tomar: gratis! (Porque sera?). Eu sozinho tomei uns 10 pra ficar aceso. E de todo mundo acho que fui o que menos tomei, pois a cada meia hora o pessoal tem 5 minutos de intervalo e a cada duas horas, 20 minutos seguidos. Mais ou menos isso. Eu lembro porque as vezes eu comecava uma apresentacao, depois de dois minutos o doido saia correndo atrasado e depois de duas horas voltava pra escutar o resto.
A noite no call center eh silenciosa, nos corredores ninguem fala nada, nos banheiros o pessoal vai mais pra lavar o rosto que pra fazer outra coisa. Mas no refeitorio a estoria eh diferente. Tem mesa pra jogar baralho, xadres, telao passando MTV indiana (engracado que depois das 2 da manha o telao comecou a passar uns clipes americanos no estilo Britney Spears, o tiosao do caixa nao gostou foi la e trocou pra outro canal de clipe indiano, deu pra ver a decepcao da galera, inclusive a minha, que na minha opiniao melhor ver a Britney do que escutar os indianos cantando), e internet com acesso livre a emails, orkut, facebook e esportes...
O resultado da noite de servico foi bom, como na maioria das permissoes que temos por aqui. Apesar de ser madrugada a galera continua querendo saber o que os malucos com camisetas iguais, uma bandeira em cima da mesa e um livro na mao tem a dizer. O que eu curti foi ver Chennai amanhecendo. Era 5:30 da matina quando encerramos o expediente e partimos pra pegar o onibus. A cidade tava acordando, as businas aos poucos comecavam a fazer parte do som-ambiente, os onibus ainda vazios e os auto-rickshaw ainda estacionados nas calcadas... Cruzei o bairro de onibus ate a estacao de trem mais proxima e quando cheguei as 7:30 da manha em Egmore, meu bairro, Chennai ja estava a 1000 por hora.