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Terra Blog

Arquivo de: Janeiro 2008

24.01.08

O Ticket, a Policia e o Dolar falso

23/Jan/08


Depois da semanada de folga trabalhei por uma semana e no fim de semana seguinte teriamos um grande feriadao. Dessa vez o nome da festa era Pongal. Segundo o que fiquei sabendo, Pongal eh a comemoracao dos fazendeiros, e arvores com enfeites e luzes coloridas eh uma das atracoes. Quando cheguei em Chennai depois ano novo achei que era Natal denovo.



Sabado a noite depois do trabalho Ed, que ta morando e (tava) trabalhando comigo, partimos pra casa. Ele ia ficar o fim de semana em casa e eu ia tocar pra uma praia perto de Pondicherry (quem ta ligado sabe aonde eh) com a turma do outro flat que ja estavam la. A pressa pra chegar em casa e a fila eram tao grandes que deu vontade de ir pra plataforma sem tickets. Caso fossemos pego teriamos que pagar 200 rupias.



Depois de meia hora arrumando a mochila tinha que ir pra rodoviaria... Preferi ir de onibus primeiro pelo trafego e depois pra economizar, afinal eram 5 rupias, senao teria que pagar 100 de autorickshaw. Busao pra variar lotadasso. Logo me arrumei numa poltrona da frente exatamente no lado oposto da ond o cobrador estava. Pra pagar o ticket eu tinha que atravessar o onibus e com certeza ia perder meu lugar. Ja tava no embalo do trem e nao paguei denovo. Mas era muita sorte nao pagar duas vezes num dia e quando estava descendo do onibus uns 5 policiais estavam me esperando junto com os fiscais da empresa de onibus coletando tickets na porta... Na hora falei que nao tinha mas tava disposto a comprar. O tiozao fez que nao entendeu e me encaminhou pro jeep – pra nao dizer camburao. De primeira ele pediu pra eu sentar dentro do carro enquanto isso dois cidadaos que nao tinham pago o ticket chegaram pra fechar a parceiria.




Entao eramos tres: um coitado que tava chorando as moedas pra nao pagar os 500 rupias que eles tavam pedindo de multa, um outro cara que aparenatava ter a grana mas quis bancar o esperto e eu, que na pior das hipoteses ia pagar o quinhentao mas com certeza ia passar o fim de semana que soh tava comecando pensando no ticket de 5 rupias que por preguica nao comprei. Nesse meio tempo ja tava mostrando a copia do passaporte e um documento do trampo que eu carrego comigo pra evitar os perrengues, e ajudou. O fiscal saiu e o policial chegou perguntando da onde eu era, o que estava fazendo na India e porque eu nao tinha comprado o ticket. As duas primeiras foram faceis, ja a ultima tive que pensar dois segundos antes de dizer que o cobrador costumava andar dentro do onibus coletando o dinheiro e dessa vez nao tinha feito, como tinha muita gente nao tive condicoes de pagar.



Nao teve chance e ele pediu o dinheiro denovo, ja sabendo que meu dinheiro tava na mochila e na carteira nao devia ter mais do que 200 rupias, mostrei a carteira dizendo que nao tinha dinheiro suficiente. Ao abrir a carteira mostrei a bandeirinha da India que eu tinha achado logo no comeco da trip e achei que era uma boa carregar na carteira... Pior que funcionou, ele fez mais meia duzias de perguntas e passou a multa pra 50 rupias. Ja era um alivio desgracado mas nao sei porque, talvez por barganhar todo dia com os drivers, resolvi pedir pra nao pagar a multa pois era novo na cidade, afinal nao custava perguntar e simplesmente ele me pediu pra nao fazer nunca mais isso e cobrou 10 rupias.



Depois de 3 horas de viagem pra percorrer 168 Km e pelo menos 5 vezes ter confirmado o lugar certo pra eu descer, cheguei em Auroville. Fui direto pra pousada com o Sid numa lambreta que em cada quebra mola eu tinha que descer pra moto nao arrastar no chao… logo na chegada ja vi que nao era bem uma pousada, mas sim uma pensao pra estrangeiros. Fui conferir no guia e vi que Auroville era na verdade uma comunidade internacional. Viajantes vindos de todas as partes do mundo quando chegam em Auroville param a viagem por pelo menos duas semanas. Falei com um cara que tava la ha 3 anos e nao tinha previsao pra ir embora. Eles trabalham nas mais variadas areas de interesse, vai desde associacoes de mulheres a energia renovavel e agricultura. Trocam o servico por acomodacao e alimentacao. Em Auroville apesar de cruzar com estrangeiro toda hora definitivamente nao eh um lugar turistico. A primeira noite na pousadinha a turma ficou meio de canto e pelo clima no outro dia cedo nos trocariamos de pousada. Dito e feito, no outro dia caimos fora cedo daquele pico cheio de bixo do mato diretamente pra uma pousada de uma russa na frente da praia. Um camarada russo, trainne em Chennai, tinha ligado e feito a reserva em russo, entao o negocio era garantido.



Nesse pico conheci um local que pega umas ondas. Ele ajuda a cuidar da pousada e aluga prancha. Pelo que ele contou a brincadeira fica em torno do meio metro e prometeu que quando rolar essa merreca vai dar o toque.


Na terca-feira voltei pra Chennai quebrado do feriadao e soh pensando na semana que eu tinha pela frente de trabalho... Tava decidido que ia parar de trabalhar e planejar uma trip pela costa oeste da India pro mes de fevereiro. Mas ao mesmo tempo nao queria de trabalhar num dia e comecar a viajar no outro. Conversei com a chefia na quinta e trabalhei ate terca-feira, 22/01, no campo, mas ainda tenho uma reuniao pra ir. Espero receber a Carta de Confirmacao, que pelo proprio nome diz, confirma que apos tres meses trabalhando em estagio probatorio voce pode ser efetivado. Basicamente pra receber essa carta voce tem que atingir todas as metas e chegar no horario, pois se estiver um minuto atrasado ja ligam perguntando...



Impressionante como a India atrai viajantes. Soh nesse mes recebemos uma galera em casa por alguns dias. Os ultimos vieram da Polonia, cruzaram a Europa, Iran e Paquistao e chegaram na India por terra. Diz a lenda que o Paquistao eh um lugar seguro e que os muros do Ira contem ameacas ao povo americano e o mais bizarro eh que da pra comprar por dois euros, 200 dolares falsos.

07.01.08

Continuacao

Chegamos em Chennai por volta das 3 e meia da tarde. A casa tava vazia, o chines tava trabalhando e o Rolf viajando com outra turma. Sabiamos que a final do aberto de tenis de Chennai ia ser nessa tarde mas nao tinhamos nem ideia do lugar, dos precos e do horario. Depois do almoco saimos pra tentar umas informacoes na internet principalmente do horario da partida, afinal nao sabiamos nem quem eram os finalistas... Entramos no google, bbc, the hindu times, terra, e tudo mais... e nao conseguimos nenhuma informacao. Entre ficar na internet perdendo tempo, pois eu repito, nao sabiamos o horario da partida, fomos na sorte pra frente do estadio.

Parece que foi combinado, era 4:40 da tarde e o jogo comecava as 5. Soh faltava um detalhe... os ingressos pra final. Durante a semana eu tinha ligado pro Rolf, que tinha voltado pra trabalhar, pedindo pra ele tentar comprar ingressos. Ele foi la e pediram 500 rupias (ou 25 reais) cada ingresso. Na real tava barato, mas ele nao comprou. Tambem nao insisti e ficou nessa... Quando de repente o Edward e eu estavamos atras dos ingressos faltando 10 minutos pro inicio da partida (e ainda nao sabiamos quem eram os finalistas) um cara chega e pergunta se estamos procurando ingressos... Na hora eu tive um pensamento soh: "temos10 minutos pra convencer o cambista pra vender esses ingressos a precos justos". Pra finalizar a semana da trip, pagamos 300 rupias (ou R$ 15) pro tiozao que tinha comprado ingresso pra familia toda e metade da galera desistiu, cada um pra assitir Nadal x Youzhny, um russo que eu nunca tinha escutado antes na vida. Eu nao sei se eu paguei barato demais ou tava tudo dando muito certo pra ser verdade mas a partida deixou a desejar... Era a primeira vez que eu tava assistindo a uma partida internacional de tenis com o numero 2 e o 19 na quadra... Foi uma pena mesmo, Nadal tomou uma surra de 6x0 ; 6x1 do russo que ninguem acreditava. A partida nao durou muito mais que uma hora... Mas valeu cada centavo.

Agora o 2008 comecou pra valer. Ja estamos em janeiro e pelas minhas contas metade da minha barca ja passou. Eu posso ter calculado errado e de repente queira ficar um pouco mais que o planejado. Pois o trabalho no Greenpeace vale muito e as viagens com a turma da Aiesec tao iradas.

Feliz 2008 a todos os brothers, hermanos e irmaos, logo mais to aih!

Mochilada de primeira

07/Jan/08

Era dia 27 dezembro quando recebi a ligacao do Sid me convidando pra ir comer uma pizza e tomar uma gelada num outro flat de trainnes. Eu nao tinha nada pra fazer, o chines tava com uma galera da TATA que veio de Bombay passar o reveillon, um novo trainne da Inglaterra que tava pra chegar nao tinha chego e o Rolf ja tava na estrada com outra parte do pessoal viajando. Logico que eu fui, afinal uma gelada com os amigos no inverno de 30 graus de Chennai nao faz mal a ninguem. No meio do caminho o Sid - que eh um indiano que eh colega de outro trainne e nao tem nada a ver com a Aiesec - falou sobre os planos da turma em passar o reveillon em Kodaikanal, um pico ha quase 2000 metros de altitude mais ou menos 10 horas ao sul de Chennai.

Diferente do que eu tinha pensado em passar o reveillon e a primeira (e unica) semana de folga em Chennai assistindo ao torneio de tenis, na hora topei em ir com a galera pra esse pico que por coincidencia o Greenpeace fez uma campanha um tempo atras e sempre que estou trabalhando falo sobre essa cidade: Kodaikanal. A India as vezes surpreende, como ja falei 1000 vezes. Algumas coisas sao tao ultrapassadas, outras tao modernas. Uma que me chamou a atencao foi apos confirmar que ia viajar com a galera pra esse pico, minutos depois estavamos na frente de um computador no site da empresa de onibus reservando 5 lugares e pagando com cartao de credito online. O negocio eh simples. Apos a transacao online o ingresso chega no teu email, tu imprime e apresenta na porta do onibus na hora do embarque.

Isso foi na quinta. O Sid e o Filip, outro belga que mora aqui iam partir na sexta, e eu como tinha que trabalhar no sabado partiria no sabado com outro restante da galera de outro apartamento que ia se juntar ao resto do grupo em Kodaikanal no dia 30. Trabalhei meu ultimo dia do ano no Greenpeace contando os minutos pra partir pra essa trip inesperada. Pela minha surpresa no final do expediente nos encontramos (o pessoal do Greenpeace) num clube e comemos um bolo de chocolate pra comemorar o final do ano de trabalho... Minutos depois tava com a galera ja pra embarcar no busao 10 horas pra Madurai e depois outro 3 horas pra Kodaikanal. Era a segunda vez que tava indo pra Madurai, a primeira de trem mil vezes melhor. A viagem correu tudo certo tirando o episodio do Australiano que recem chegou da Australia ha 1 semana e esqueceu o passaporte no escritorio da empresa de onibus. Quando estavamos em Madurai e ele percebeu que tinha perdido o passaporte o cara entrou num desespero que eu nao queria ta na pele dele sentindo o que ele tava sentindo. Apenas uma semana na India e perdeu o passaporte, azar demais. Depois de ligar pra meia duzia de telefones o bixo ligou pra Embaixada da Australia em Bombay e cancelou o passaporte. Na hora achei que foi a melhor coisa que tinha a ser feita. Depois de ver os templos que eu ja tinha ido na primeira semana de trip tocamos pra Kodaikanal.

Kodaikanal eh uma pequena vila sobre as montanhas ha mais ou menos 2000 metros de altitude. Montanhas, penhascos, lagos, e claro, frio pra cacete, pra resumir. Mas depois de ler o Lonely planet (um guia show de bola) e lembrar das recomendacoes da dona Te fui preparado e o frio eu deixei pra galera que achava que Kodaikanal era praia... Era dia 31 de dezembro, ultimo dia do ano, estavamos em 15 trainnes soh curtindo o pico quando de repente decidimos jogar futebol. Compramos uma bola e assim que comecamos a procurar por um campo os indianos ja estavam atras querendo jogar junto. India x Resto do Mundo (que inclui Brasil no ataque, Belgica e Colombia nas laterias, Belgica tb no meio de campo, um indiano emprestado na zaga e um Russo como goleiro). O placar final foi 4x2 de virada pra Selecao do Mundo com dupla atuacao tupiniquim que quem conhece ta ligado.

A noite de reveillon foi engracada. Assistimos aos fogos de artificio, que nao chegaram a 0,01% do festival de Diwali e andamos ao redor da cidade topando com carros indianos enloquecidos que paravam e cumprimentavam um por um. Depois do 5º carro ja tava ficando ate chato na real.

Dia primeiro de janeiro, dia mundial da ressaca todo mundo tava voltando pra Chennai, ou porque tinha trabalho em seguida, ou porque ja tava na estrada ha algum tempo viajando. Eu tava de bobeira, tendo uma semana de folga pela frente e queria viajar, soh faltava a parceiria... De todo mundo sobraram 2 russas que tambem nao tinham pressa pra voltar pra casa. Embarcamos no final de tarde pra Kochi, pra seguir meu plano inicial que era descer a costa sul pelas praias. Ate a chegada em Kochi foram 3 onibus, algumas cidades que nos paramos nem o Lonely Planet falava pra terem ideia. Depois de uma tarde inteira e uma noite chegamos em Kochi.

Kochi eh a capital do estado de Kerala, vizinho de Tamil Nadu, e fica exatamente no outro lado da costa litoranea. A cidade, diz a lenda, foi colonizada por portugueses, mas o que mais chamou a atencao foi ver as redes de pescadores trazidas pelos chineses ha um tempo atras. Um aglomerado de redes e cordas que soh chines mesmo pra entender. E isso foi a unica coisa que eu vi de interessante em Kochi, e ja tava louco pra disparar rumo ao sul. Porem, quando se viaja em grupo principalmente quando as mulheres sao maioria o negocio nao eh tao simples. Cada um tem uma ideia diferente e elas queriam ficar em Kochi mais um dia pra fazer uma massagem especial e eu queria tocar pra praia... Eu ia de qualquer forma, sozinho ou com elas, mas a sorte foi saber que o Ed, o ingles que chegou na noite do dia 27 e nao tinha nada pra fazer em Chennai por uma semana me ligou perguntando qual era meu plano. Na hora intimei ele pra tocar pra Kochi e depois descer o litoral. No outro dia cedo ele tava la.

Na manha seguinte arrumei a minha mochila e toquei pra estacao de trem pra esperar o gringo e partir em seguida. As russas mudaram de ideia e vieram junto. Acho que curtiram o plano, que era antes de chegar na praia passar por uma cidade chamada Allepey e eh famosa pelas redes de canais de agua no meio de florestas - chamadas de Backwaters - com centenas de barcos pra fazer esse passeio. Pegamos um e passamos 6 horas navegando. Ha varios tipos de passeio, desde barcos a remo (o qual pegamos) com dois caras remando, barcos com motor (na minhao opiniao o pior de todos, pois 6 horas na floresta com o motor nos ouvidos nao rola) e pra finalizar os chamados Houseboats, que eh coisa de cinema. Realmente uma casa em cima do barco, profissional o negocio. Mas nao pro meu orcamento. O que me chamou a atencao eh que um dos remadores do nosso barco era um velinho, e o outro seu filho. Depois algumas horas navegando fui descobrir, soh porque o filho contou, que o senhor era cego. Deu ate pena, nao pelo trabalho que ele tava fazendo, afinal muito melhor do que pedir dinheiro na porta do trem, mas por remar tanto e nao poder ver nada ao seu redor...

As meninas voltaram pra Kochi pra voltar pra Chennai na mesma noite, eu e o Ed tocamos pro sul em busca da praia. Ate chegar nessa praia, denominada Varkala, que segundo o guia eh um dos lugares top10 da India, bem como os Backwaters de Allepey, nao havia onibus direto, entao fomos de cidade em cidade, onibus e mais onibus e as vezes trem e no outro dia cedo estavamos no destino final. O pico nem parece a India, soh turista europeu. De longe a maior concentracao de estrangeiros juntos que eu presenciei ate agora. Depois dos indiamos eu era o mais preto da turma. Indiano mesmo soh prestando servicos ou vendendo coisas na beira da praia. Infelizmente tava rolando um surfesinho minimo que nem mesmo 4 meses longe da prancha deu vontade de cair. Foram dois dias de praia irados, sol e mar e festa... Ate recebi uma mensagem de um broder em Chennai avisando pra nao ter pressa pra voltar pois havia uma forte chuva... isso foi soh pra lembrar das russas, que tinham voltado pra fazer compras...

Sabado a noite era hora de voltar pra Chennai. Ja tinha comprado a passagem com uma semana de antecedencia. Tava tranquilo, pois uma das coisas mais preocupantes aqui eh nao ter passagem pra ir e vir, pois eh muita demanda. Chegamos com meia hora de antecedencia na estacao de trem aonde partiriamos direto pra Chennai. Entao na hora de ver qual vagao entrariamos a surpresa.... estavamos na lista de espera, e segundo todo mundo que perguntavamos, era pra falar com o tal de conductor. Pra encurtar a estoria entramos no trem sem saber ao certo qual era o vagao certo. Ja era tarde, hora de dormir e a primeira cama que eu vi capotei... O engracado eh que a cada parada um indiano chegava e falava que era o lugar dele. Eu como nao tinha como provar o contrario saia procurando por outra cama vazia. Isso aconteceu pelo menos umas 3 vezes durante a madrugada. La pelas 4 da manha encontrei a sorte e dormi ate as 10 e meia direto...
                                         CONTINUACAO