25/Feb/2008

Cheguei em Mumbay antes do que eu esperava. Era mais ou menos 6 da manha e fui acordado aos gritos do funcionario da companhia de trem avisando que esse era a ultima parada. Olhei ao redor ainda dormindo e o vagao ja estava quase vazio. Arrumei a trouxa e sai. A ideia era reservar o ticket pra proxima viagem rumo ao norte. Porem o escritorio soh abriria as 8, tempo suficiente pra comer um omelete prepararo por um guri de 13 anos que ainda estava aprendendo a fazer. Depois de lavar a mao ainda umida de gordura, fui perguntar aonde era o escritorio de reserva. Nao tinha pressa afinal era cedo e o hoetl que estava no meu plano - e no meu guia - soh tinha check-out as 9. Entrei na fila dos estrangeiros que se resumia a um europeu com o filho no colo e eu em seguida. Vale falar que a estacao de Mumbay eh organizada. Entre a fila para estrangeiros ha tambem fila para pagar somente com cartoes. Que ao contrario da fila normal que ja fazia curva no predio, a fila do cartao tinha menos de 5 pessoas.
Esperei meia hora observando os policiais tentando organizar as filas e as 8 em ponto a porta foi aberta e me mandei pro caixa dos estrangeiros no segundo andar. Mas nao bastava apenas ser estrangeiro, tinha que ser turista e pagar a conta em moeda estrangeira. Eu com visto de estudando e recebendo em rupias nao tava incluido nesse esquema. Nao deu outra, corri de volta pro primeiro andar pra fila do cartao e depois de tres camaradas peguei meu ticket pra Agra, que partiria na noite do dia seguinte.
Depois de dez dias em Goa de frente pro mar e sem barulho de buzinas ia ser dificil me segurar em Mumbay, uma cidade gigante, por muito tempo. Resolvi que dois dias e uma noite ia ser o tempo ideal pra andar pela cidade.
Passei no hotel e fiz o check-in, conheci um cara da Holanda que tambem tava fazendo intercambio. Ele perguntou se eu tava sozinho e se podia ir pela cidade comigo. Eu que nao tava afim de carregar uma mala mas tambem nao queria julgar o mala antes falei que tava sem plano e ia sair pela cidade, que se quisesse viesse junto. E pior que veio. Ele e a maquina fotografica.Ate a esquina do hotel o mane bateu umas 10 fotos. E a primeira parada foi no "Portao da India", um presente dos ingleses. Segundo as fotos que eu tinha visto antes o portao parecia ser grande e bonito. A decepcao foi maior do que o portao parecia ser. Inundado de turistas e vendedores e tambem stands de empresas indianas, aquilo la parecia mais uma feira livre. Bati uma foto enquanto o Pascal, o holandes, umas vinte. Diz ele que Mumbay (antes Bombay) realmente parecia com a Europa. Eu que nunca estive la concordei e vazei. No caminho passei pela Universidade de Bombay , uma construcao britanica que me fez perguntar porque estava vazia, se aquilo era pra ser uma universidade. E depois de conferir no celular, conclui que era sabado e achei que fosse melhor olhar o calendario com mais frequencia.
Passamos pela Suprema Corte e entramos. De bermuda e camiseta entre advogados e juizes. As cameras ficaram na portaria sem antes o Pascal tentar tirar algumas fotos de dentro do predio e ser barrado pelo policial, e eu vazei pra nao arranjar confusao. Dois minutos depois a mala me chamando denovo. Ja passava das 3 da tarde e cheganos numa beira-mar, afinal Bombay eh uma ilha. A avenida ate lembra a de Floripa, a unica diferenca sao os predios que sao muito mais velhos e baixos, o resto eh parecido. Tanto as avenidas largas, o calcadao e o cheiro do mar. Nisso o holandes de 19 anos ja tinha batido um giga de foto e eu deixei ele pra tras pra ir tomar uma gelada. Tomei duas e voltei pro hotel de onibus. Ai que eu lembrei que ele tinha o guia do norte da India, e como eu tava a caminho tinha que bater uns xerox... Peguei o guia dele, fiz as copias e disparei pra dormir, umas 8 da noite.
Depois de Bombay no comeco eu tinha 3 destinos: Jaipur (no Rajastao), Agra ( Taj Mahal) e Varanasi (Rio Ganges). Mas refazendo as contas tive que deixar o Rajastao pra proxima, assim como as Ilhas Andamans e Nicobar, mas isso ja eh outra historia.
Acordei meia noite louco pra tomar agua. Sai na rua e uma boate que tinha na esquina ja estava fechando as portas. Tentei entrar de havaianas, bermuda e camisa do avesso e nao fui permitido. Perguntei pro seguranca se ele podia me comprar uma garrafa e ele disse que sim, por 50. Sai rindo e mais uns 200 metros encontrei um botecao aonde comprei por 15. O bar era massa, ainda lotado. Deu vontade de sentar e ficar um pouco. Mas ao contrario de Bangalore, Bombay era cara e o chopp nao saia por menos de 70, enquanto em Bangalore era 35. Deixei quieto e vazei pro hotel.
No caminho me deparei com uma producao de Bollywood, e pra quem ta ligado nesse lance de filmes, sabe que a India eh o lugar no mundo que mais produz filmes. E em Bombay eh o lugar da India aonde mais filmes sao produzidos. No fim de semana vi duas producoes na rua. Parei pra ver uns 10 minutos e muito melhor do que a cena que estava sendo filmada, foi fato real que eu presenciei na minha frente. Eu estava na esquina conversando com um cara do staff do filme que era responsavel assim que recebesse o sinal pelo radio a bloquear a rua pra nao deixar ninguem passar enquanto o filme estivesse sendo rodado. Se tivesse sido combinado nao teria dado certo. Enquanto ele me contava a moral do filme, uma moto veio em direcao a estrada e cruzou em direcao ao filme. Nessa hora ele recebeu o sinal para bloquear a rua e comecou a gritar pro motociclista parar a moto. Ele parou e foi fazer a volta (sem olhar pra tras, como todos os indianos fazem) e outra moto que nao tinha nada a ver com a historia veio e juntou a lateral da moto. Ninguem se machucou. Mas foi a melhor cena que eu vi em Bombay, ali de camarote.
No outro dia fiz o check-out cedo, larguei pra estacao ferroviaria pra trancar minha mochila e sair pela cidade denovo. Andando pela cidade, conclui que Bombay definitivamente era a cidade mais desenvolvida que eu ja tinha ido ate entao na India. Ruas limpas, transporte eficiente e arranha-ceus que diferente dos de Bangalore, aqui ja sao incontaveis. E dentro de mais alguns poucos anos dobrarao em numero. A construcao civil na India especialmente nas grandes cidades nao para nem nos domingos e feriados.
Nem dois dias e eu ja estava cansado da "cidade". Fui pra estacao de trem pegar o meu de 21 horas pra Agra, era apenas o esquento do que estava por vir.