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Terra Blog

Arquivo de: Março 2008, 07

07.03.08

Taj Mahal e mais nada pra fazer

Mar/08


A noite de trem entre Mumbay e Agra foi a que eu mais passei frio durante todo meu tempo na Índia. Confesso que quando arrumei a mochila pra fazer essa viagem achei que ela estava pesada. Refiz e tirei varias coisas dentre elas uma blusa de lã, que fez falta. Até então o meu plano de viagem era ir até Mumbay (mais ou menos no meio do país na costa oeste) e depois voltar pra Chennai, pensando nisso não precisava levar roupas de frio.

Porém, lembro que quando me despedi dos amigos ainda em Chennai pra começar a mochilada, vi que se reprogramasse tudo novamente poderia ir ainda mais longe, ver o Taj Mahal, o sagrado Rio Ganges e o deserto do Rajestão de repente entraram no meu plano. E nessa hora eu já estava a caminho da estação de trem e nem lembrei de pegar o casaco de volta.


Passaram exatas 21 horas de viagem e cheguei em Agra, a cidade do Taj Mahal. Já era fim de tarde e o pôr-do-sol já estava irado. Tinha o dia seguinte inteiro pra ver o Taj, e a preocupação na hora era já comprar a passagem pro próximo destino: Varanasi. Fiquei naquela de correr pro hotel e ver o Taj de cima do terraço ou comprar a passagem pro destino seguinte. A estação movimentada como sempre, filas e a vontade de sair de lá fez com que eu deixasse toda essa parte de reservas e trens pro gerente do hotel, que sabendo que ia cobrar uma comissão, iria me entregar a passagem na mão sem eu ter que fazer nada.

Rachei um rickshaw com um cara de Israel que já estava na Índia pela segunda vez. Diz ele que já havia visto o Taj Mahal alguns anos atrás e dessa vez não ia pagar denovo. O programa dele era ficar num hotel em frente ao Taj e visitar as cidades ao redor. A verdade é que eu não entendi o porquê ele já não foi direto pras essas cidades se em Agra não tinha nada pra fazer...

Depois de meia hora e 50 pessoas oferecendo vagas em pousadas, me instalei em uma e já passei meu roteiro pro gerente que no outro dia me deu as passagens na mão. Era noite e não tinha nada pra fazer na cidade, que vale falar que não tem nada de mais e pelo que deu pra ver há dois tipos de estrangeiros que vão pra visitar o Taj Mahal. O primeiro tipo é o turista, ou seja, aquele senhor que desce do avião, entra no ônibus AC da agência de viagem, desembarca no hotel 5 estrelas, dorme, acorda, vai pro Taj de ônibus AC, visita o lugar em bando com guias explicando (e cobrando) cada centímetro do mausoléu. Chega a hora de ir embora, todos vão ao mesmo tempo pro hotel e de volta pro aeroporto, chegam de volta no seu país de origem e dizem: eu fui pra Índia. O segundo grupo é o do viajante: que chega de trem ou ônibus, desembarca na estação, pega um rickshaw e vai em busca da pousada. Pede informações sobre o lugar na rua e consulta os livros. Vai pro Taj a hora que quer sem horários pra voltar. Fica em hotéis baratos ao redor e além de ir pra principal atração que a cidade oferece, passa alguns dias curtindo o lugar.

A ida pro Taj como viajante acho que vale mais a pena. Fiquei dois dias de frente pro pico vendo coisas que as revistas não mostram. Antes disso imaginava que o lugar teria sido construído num descampado sem nada ao redor e que o desse pra ver de muito longe, sem muros, sem nada. Provavelmente há alguns 300 anos atrás isso poderia ter sido verdade. Mas hoje em dia o negócio é um pouco diferente. O Taj é cercado com muros altos, creio que desde o início foi assim. Mas se não bastassem os muros, o lugar é dominado por hotéis, restaurante e muitos, mas muitos (até achei que um trem de computadores tinha quebrado por lá) estabelecimentos pra conectar internet.

Os hotéis são baratos, são construídos basicamente em 3 ou 4 andares com restaurantes no terraço, o que proporciona uma boa visão dos macacos andando sobre os telhados, as vacas fazendo m... na rua, as crianças indo pras escolas, os motoristas de rickshaw oferecendo seus serviços a todos que passam, os pastores levando bandos de búfalos, ah e claro, do Taj.

"A obra do Taj Mahal foi feita entre 1630 e 1652 com a força de cerca de 22 mil homens, trazidos de várias cidades do Oriente, para trabalhar no sumptuoso monumento de mármore branco que o imperador Shah Jahan mandou construir em memória de sua esposa favorita, Aryumand Banu Begam, a quem chamava de Mumtaz Mahal ("A jóia do palácio"). Ela morreu após dar à luz o 14º filho, tendo o Taj Mahal sido construído sobre seu túmulo, junto ao rio Yamuna.

Assim, o Taj Mahal é também conhecido como a maior prova de amor do mundo, contendo inscrições retiradas do Corão. É incrustado com pedras semi-preciosas, tais como o lápis-lazúli entre outras. A sua cúpula é costurada com fios de ouro. O edifício é flanqueado por duas mesquitas e cercado por quatro minaretes.



Supõe-se que o imperador pretendia fazer para ele próprio uma réplica do Taj Mahal original na outra margem do rio, em mármore preto, mas acabou deposto antes do início das obras por um de seus filhos." (fonte: wikipedia.com)

Agra na verdade é uma cidade pra se ficar um dia. Não mais que isso. A cidade possui duas atrações principais. Uma é o Taj e a outra é um Forte, e se você for nas duas no mesmo dia você ganha 50 rúpias de desconto (ou R$ 2,50). Como eu já tinha que ficar no mínimo dois dias, deixei esse forte pro segundo e me mandei pro Taj cedo no outro dia, caso contrário ia me matar sem ter o que fazer... A verdade é que no fim sempre acaba encontrando várias pessoas na mesma situação e trocando várias idéias no terraço dos hotéis com o monumento de background.

Já com as passagens na mão a minha viagem já estava chegando praticamente ao seu fim. Depois de Agra, eu fui somente a Varanasi e voltei para Chennai. O lance é que me programei mal, e nem tinha pensado nisso. Mas os trens de Varanasi para Chennai só partem as segundas e as quartas. E eu queria ir na quinta. Sem opções de escolha e com medo de pegar uma daquelas companhias aéreas que além de cobrarem preços muito baixos, podem cancelar os vôos a qualquer hora sem dar previsão pro próximo... E o plano foi refeito. Agra - Varanasi - Agra (denovo) - Chennai. Pois de Agra havia trens diários com destino a Chennai.