28/Apr/2008

As vezes eu ainda me pergunto se tudo que aconteceu foi verdade. Dei meia volta no mundo pra chegar, morei 3 meses e em mais um atravessei o país de havaianas e trem, comi com a mão e tomei banho gelado. Trabalhei no Greenpeace e vi o Taj Mahal 7 horas e meia na frente do Brasil. Foram tantas coisas que depois de 127 dias na gringa só eu sei o que passei e vi. A viagem em si já estava na vontade há muito tempo, mas eu não tinha uma razão específica nem um destino. Mas eu tinha uns trocados e muita vontade. Foi aí que quando eu recebi aquele email abençoado da Aiesec através do email de graduação da UFSC no estilo : [informe] que eu fiquei conhecendo tudo isso.
Conheci a Aiesec em fevereiro e disparei em outubro. Foram oito meses planejando sem fazer muitas expectativas. Entre as madrugadas lendo, vi uma que me chamou atenção: que foi a do cara que planejou tanto tanto que acabou não viajando. Então só acreditei que a viagem aconteceria quando eu colocasse o pé dentro do avião. E assim foi feito.
Casei a minha ficha em agosto. Foi num sábado depois do almoço que eu sentei na frente do computador dizendo pra mim mesmo que eu ia encontrar o meu rumo. Uma vaga no Greenpeace não era novidade pra mim, eu já estava acompanhando várias vagas na "
aiesec.net", hoje "myaiesec" que é o site aonde as transações entre estudante, organização e aiesec são feitas. Eu sabia os últimos intercâmbios abertos, as empresas fodas parceiras. Aprendi a mexer no sistema e procurar as melhores vagas, ou melhor, as vagas com o meu perfil.
Lembro que quando eu vi a vaga disponível até dei uma olhada que era na Índia, mas não me chamou atenção. Entao me apliquei pela segunda vez pra vaga e mais rápido que o não da primeira vez foi o sim dessa segunda. A Aparajita, a responsável pela vaga, respondeu no outro dia dizendo que eu era ideal pra vaga. Eu fiquei tão animado que nem vi que a vaga era na Índia, aliás lógico que eu vi, mas não dei a menor bola. E foi assim nos primeiros cinco minutos. No sexto minuto a ficha caiu e eu disse: CARA.......mba! eu vou pra Índia.
Até aí eu conhecia a Índia pela apostila do Colégio Murialdo lá da 3ª série nos anos 90 quando a tia falava das índias, do Cabral que se perdeu indo pra lá depois da tempestade, das especiarias (cravo, canela e pimenta), o Taj Mahal e o Ghandi. Mais tarde voltei a escutar um pouco mais nas aulas de administração sobre esta nova potência que está para surgir, da explosão dos softwares e de uma ou outra matéria da Exame. Mas sinceramente a Índia nunca me chamou a atenção, não tinha onda.

O lance da cirurgia que eu fiz antes do embarque tendo que atrasar em um mês a trip só veio pra me instigar. Parece que depois de 4 meses viajando, um mês de cama deu pra resumir nessa linha que foi escrita aqui em cima.
Morar na Índia ao contrário do que muitos pensam não foi difícil. Os ônibus lotados, o cheiro de merda dos rios, a poluição do ar, sonora e visual não são grandes obstáculos como disse meu amigo belga se referindo na diferença entre os trainees que reclamavam do lugar, e daqueles (nós) que encaravam a situação como um cenário aonde vivíamos e observávamos as coisas acontecendo. Era gente chegando e saindo a cada 15 dias mais ou menos. Ao mesmo tempo que gerações começavam, para outros elas terminavam e os velhos inquilinos eram lembrados volta e meia por estórias engraçadas e fotos penduradas na parede. Deixei uma minha lá na porta do armário: eu tava no Rosa Sul vendo as ondas e segurando a prancha que depois de mais algumas quedas rachou no meio. A bandeira do Brasil ficou pra posteridade também. As havaianas que cruzaram o país deixei de presente assim como a 9 do Ronaldo, que quando eu usava sabia que ia chamar atenção... Deixei junto a outras revistas algumas que eu tinha levado daqui e agora fazem parte de uma mini biblioteca com informação vinda do mundo todo deixada por todos que moraram lá. Foi legal ver reportagens e reportagens sobre a Índia em chinês, inglês, ucraniano, belga, da Sérvia, Rússia e em português com a minha "Viagem" que eu levei daqui junto com uma "Terra". Confesso que a reportagem feita pela primeira revista parecia pesquisa na internet. Tá certo que era uma revista dos anos 90 comprada num Sebo. Muitas informações completamente erradas e dicas furadas. O xerox do guia da minha tia que já tinha ido também da revista Viagem não serviu pra nada. Já a "Terra" eu gostei, até trouxe a revista de volta. Trouxe pois ela tinha uma reportagem completa falando sobre uma trip que eu fiz na primeira semana do ano. E quem leu o Blog sabe de qual eu estou falando. Mais pra frente vou pegar a revista, dar uma lida e lembrar...
E foi lendo os blogs antes de viajar que eu me motivei a escrever o meu. Era um jeito fácil de "comunicação geral" tanto pra familiares, pra galera da Aiesec e pros amigos que estivessem afim de acompanhar. Eu sentava na frente do computador na lanhouse e começava a lembrar o que tinha acontecido entre um post e outro. A prioridade era colocar o que eu tinha visto, situações engraçadas e que valeriam ser lembradas depois. Então eu chegava e começava a escrever e sem perceber eu passava duas horas na frente do computador. Não tinha tempo de ler o que eu acabara de escrever, uma desculpa pros erros de português percebidos mais além. Outra novidade foi escrever sem o uso de acentos e mesmo assim acho que consegui passar a mensagem.
Continuação